O exercício do poder, desde o início da História, tem oscilado como um pêndulo entre dois extremos. De um lado, a vontade de um homem ("o Estado sou eu") e, do outro, a determinação de um grupo de seres humanos que ditam as leis sob outra forma de despotismo ("o Estado somos nós").

Quando está nos níveis mais baixos, o pêndulo passa por um ponto de ausência de poder público ou mesmo anulação do Estado. Nesse momento, os abusos da liberdade individual só encontram freio nas convicções pessoais de cada um.

No atual estágio da evolução, a passagem do pêndulo por esse ponto (o zero na escala de oscilação acima) significa baderna, salve-se quem puder. Mas, os períodos de conturbação social, econômica e política estão ficando menos caóticos e passando mais rápido, por conta de sentimentos humanos aprimorados através do conhecimento e da solidariedade. Esses sentimentos estão encurtando a haste do pêndulo.

O poder esgota os princípios; os princípios esgotam o poder. Por isso, o pêndulo descreve oscilações amortecidas. Seu movimento perde força à medida em que a educação e a vida geram sabedoria no seio do povo. E o encurtamento da haste impede que vá tão longe, em direção aos extremos.

Admitidos como condição para sermos humanos e bons cidadãos, o conhecimento e a solidariedade fazem a paz social ser cada vez mais independente de coerção pelo Estado.

A educação (não confundida com proselitismo e condicionamento cultural, ideológico ou político) é, portanto, elemento fundamental para se ir encurtando a haste do pêndulo, de maneira a impedi-lo de chegar ao despotismo e à ditadura, bem como fazê-lo oscilar cada vez mais rápido entre momentos históricos democráticos, até se imobilizar no centro da escala, o que talvez ainda demore alguns séculos. Aí estará no mais elevado estágio da humanidade, o Solidarismo.

De acordo com o Dicionário Aurélio, Solidarismo quer dizer "doutrina moral e social baseada na solidariedade". Ou seja, baseada no "sentido moral que vincula o indivíduo à vida, aos interesses e às responsabilidades dum grupo social, duma nação, ou da própria humanidade". Ou, ainda, na "relação de responsabilidade entre pessoas unidas por interesses comuns, de maneira que cada elemento do grupo se sinta na obrigação moral de apoiar o(s) outro(s)".

O pêndulo terá atingido, então, a época na qual só faremos aos outros o que desejarmos a nós mesmos. Aí, sim, não mais será necessário impor leis e defender direitos pelas armas. Haverá verdadeiramente liberdade.

Antônio Aggio Jr.