Cláudio Tognolli é o mais novo membro do Icij

Miriam Abreu

Cláudio Tognolli, jornalista e professor da USP, é o mais novo membro do International Consortium of Investigative Journalists (Icij). O convite partiu de Rosental Calmon Alves e de Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo, que também fazem parte do seleto grupo - atualmente, são 84 membros. A nomeação aconteceu no final de maio e, a partir de agora, Tognolli participará das discussões do Icij e terá total apoio para produzir um trabalho investigativo, desde que aprovado pela maioria dos colegas.

O currículo de Tognolli foi analisado pela comissão por dois anos. A análise do processo, segundo o jornalista, inclui as matérias que foram feitas pelo interessado em participar do Icij, os livros que lançou e os prêmios que ganhou. "A pessoa também não pode ter nenhuma filiação político-partidária. Tem que ser totalmente independente", completa.

"A Icij promove discussões no mundo sobre assuntos a serem investigados. Depois do encontro anual, cada membro tem o direito de publicar o trabalho dos outros membros no veículo para o qual trabalha", explica Tognolli.

Tognolli tem 39 anos, é repórter especial da Rádio Jovem Pan, do Consultor Jurídico, escreve para o Observatório da Imprensa, tem uma coluna na revista Caros Amigos e é professor da USP e da UniFian. Ele começou a trabalhar em Veja, foi repórter especial da Folha de S. Paulo e correspondente do jornal nos Estados Unidos. Também passou pelo Jornal da Tarde e rádio CBN. O jornalista ganhou o Grande Prêmio Folha  de Jornalismo de 1993, com Fernando Rodrigues. Em 1997, ganhou o Jabuti de Literatura pelo livro "O século do crime", que escreveu com José Arbex Júnior. Também foi reconhecido pelo Prêmio de

Departamento de Estado Americano para Direitos Humanos. Tognolli é mestre em Psicanálise e doutor em Biotecnologia. "Fui guitarrista do RPM, meu lado negro", brinca.

O que é a Icij?

Há 12 anos, um grupo de jornalistas norte-americanos decidiu criar o Centro para Integridade Pública. Eles perceberam a necessidade de montar uma organização que fizesse reportagens investigativas com total independência. O Centro se sustenta com doações. "Hoje, o orçamento é de US$ 4 milhões", conta Fernando Rodrigues. Aos poucos, o Centro percebeu um viés internacional. Eles precisariam de jornalistas fora dos EUA. Foi então criado o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.

"Uma vez a cada ano se discute o que está acontecendo no mundo. Então, decidimos o que vai ser investigado. Um dos jornalistas do Icij faz a matéria e o veículo para o qual trabalha pode publicá-la ou veiculá-la".

Existem quatro membros brasileiros no Icij. São eles: Rosental Calmon Alves, Amaury Ribeiro Júnior (ISTOÉ), Cláudio Tognolli e o próprio Fernandes.

Sobre o mais novo membro, Fernandes disse: "É um jornalista da maior competência. Foi uma ótima notícia saber que ele vai integrar o Consórcio".

N. da R. - O JORNAL concorda e aplaude os termos em que foi colocada a escolha de Cláudio Júlio Tognolli, exemplo de jornalista independente, imparcial e combativo. Ele possui o "site" http://www.tognolli.com, que merece ser visto.