Discussão do voto de repúdio desencadeia irados debates em plenário

 

Senado condena o"paredon" de Cubae Fidel se defende  

Com  voto contrário do senador Roberto Saturnino (PT-RJ), o Senado Federal aprovou substitutivo do senador Hélio Costa (PMDB-MG) que condena o fuzilamento de três cidadãos cubanos por seqüestro de uma embarcação de passageiros, durante tentativa de fuga para a costa dos Estados Unidos, assim como a prisão de 78 dissidentes comunistas.

O requerimento original foi apresentado à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional pelos senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM), José Agripino (PFL-RN) e Jefferson Péres (PDT-AM). Propunha "voto de repúdio e condenação ao ato arbitrário perpetrado contra a liberdade de opinião e as liberdades individuais de militantes de direitos humanos, jornalistas e economistas contrários ao regime cubano".

Esclarecendo que era uma posição pessoal e não do PT, o senador Roberto Saturnino disse que não poderia votar favoravelmente ao substitutivo, pois preferia acreditar na versão do embaixador cubano para os fatos do que na imprensa. Para ele, os jornais brasileiros espelham a imprensa americana, que tem um noticiário orientado para a derrocada de Cuba. "É óbvio que há um plano de derrubada do regime cubano", frisou.

As afirmações de Saturnino desencadearam acirrado debate em plenário, com manifestações coléricas dificilmente vistas naquela Casa legislativa.

Os fuzilamentos e prisões já haviam motivado protestos em vários países e o governo cubano precisou explicar o que aconteceu. Segundo uma série de comunicados e pronunciamentos governamentais, os seqüestradores, auxiliados por oito cúmplices e armados de pistola automática e facas, apoderaram-se de uma embarcação usada no transporte de passageiros, muitos deles turistas, com o objetivo de chegar à costa da Flórida, nos Estados Unidos.

Feito para navegar somente em águas interiores, pois tem fundo chato, o "ferry-boat" acabou sem cumbustível  e ficou à deriva em meio a mar revolto até ser interceptado pelas autoridades cubanas, que capturaram os três criminosos. Acusados de agir com violência e colocar em perigo a vida dos reféns, os três principais envolvidos  foram condenados à morte em processo sumáríssimo, de acordo com as leis daquele país. Eram eles: Lorenzo Enrique Copello Castillo, Bárbaro Leodán Sevilla García e Jorge Luis Martínez Isaac.

Além dessas, houve também as seguintes condenações:

Prisão perpétua - Maikel Delgado Aramburo, Yoanny Thomas González, Harold Alcalá Aramburo e Ramón Henry Grillo;

Trinta anos de prisão - Wilmer Ledea Pérez;

Cinco anos de prisão - Ana Rosa Ledea Ríos;

Três anos de prisão - Yolanda Pando Rizo; e

Dois anos de prisão - Dania Rojas Góngora.

Ainda conforme as mesmas fontes, as execuções serviram também para dar um basta à onda de dissidências e fugas de cidadãos cubanos, inclusive mediante seqüestros de aviões, que estaria sendo fomentada principalmente pela representação diplomática norte-americana em Havana. Afirmam as autoridades cubanas que esse procedimento objetiva desestabilizar seu país e desmoralizar o regime aos olhos de outros povos.

(Fontes: Jornal do Senado; Agência Senado; Diário do Senado; Governo e Embaixada de Cuba no Brasil)

(Clique aqui para ler a transcrição do embate no Plenário do Senado, dia 28 de maio, conforme as notas taquigráficas sem revisão dos oradores)

(Veja aqui a nota oficial emitida pelas autoridades cubanas)

(Leia também os esclarecimentos de Fidel Castro, que acusa autoridades dos EUA de   fomentarem um "plano terrorista contra Cuba")