NÃO ESTAMOS SÓS NO UNIVERSO

Ben Abraham (*)

Até o século XVI, os sábios, seguindo a orientação da Igreja, estavam convencidos de que a Terra era o centro do Universo. Quando Copérnico e Galileu provaram o contrário, foram classificados como hereges. Galileu foi condenado à prisão perpétua por causa de sua teoria.

Apesar de a ciência haver evoluído desde aquela época e os astrônomos terem à sua disposição possantes telescópios, inclusive montados na estação espacial, o conhecimento referente ao Universo representa uma incógnita, baseada em teorias que dificilmente serão desvendadas por nós, mortais.

Como exemplo, citaremos nosso sistema solar que, de fato, não passa de um punhadinho de pó no Universo, levando-se em conta que o nosso Sol é apenas uma entre infindável número de estrelas, das quais só limitada parte pode ser vista com os mais possantes telescópios.

Indo além, podemos concluir que, assim como nosso Sol é rodeado pelos planetas, também existem outros sistemas semelhantes, com seres mais ou menos desenvolvidos como nós. O Universo é infinito, nem que seja um por um milhão de sistemas solares semelhantes ao nosso. Há, portanto, uma infinidade de outros planetas nas mesmas condições da Terra. Uma fração de infinito também é infinita...

Para responder à pergunta de como surgiu a vida em nosso planeta, retrocedamos cerca de três bilhões de anos. Então, conforme supõem alguns cientistas, um gigantesco cometa passou perto do Sol, arrancando-lhe enorme massa que se transformou numa bola ardente, girando no espaço da mesma maneira que aconteceu com os outros planetas em épocas diferentes.

Limitando-se à nossa Terra, a massa inicial arrancada do Sol esfriava com o passar do tempo, formando na sua superfície uma casca sólida que deu origem à crosta terrestre. À medida que a camada externa ficava mais grossa e apta para o início da vida, o núcleo central continuava em sua forma primitiva, com a mesma temperatura que tinha bilhões de anos atrás. Sua densidade e peso superavam as de rochas e outros minerais na superfície. Entrementes, o imenso calor ainda está presente no núcleo, mas não afeta a superfície da Terra por causa das camadas que o isolam.

Devido à força centrifuga conseqüente à rotação do nosso planeta, os gases que são mais leves formavam a nossa atmosfera, na qual o hidrogênio e o oxigênio, na proporção 2:1, se transformaram em vapor de água por causa das constantes descargas elétricas. Esse vapor, na medida do resfriamento da superfície, condensava-se e formava rios, lagoas e mares.

Em conseqüência do resfriamento, a crosta terrestre enrugava-se, formando cordilheiras e depressões. Nestas últimas, concentraram-se os mares e oceanos.

Durante milhões de anos, as torrentes moldaram leitos de rios e vales, a exemplo do "Grand Canion", nos Estados Unidos.

Como o núcleo da Terra continuava líquido e, nessa elevada temperatura, os gases procuram um ponto de escape, ocorriam explosões vulcânicas que deram origem às montanhas.

Essas explosões atuavam como válvula de escape numa caldeira, permitindo a saída dos gases e lava que se formavam nas camadas subjacentes da Terra. Antigamente, essas explosões eram constantes, mas com o tempo foram diminuindo, da mesma forma que os tremores da superfície terrestre.

Passados bilhões de anos desde a formação do nosso planeta, a Terra resfriou-se e surgiu a atmosfera que oferecia condições ideais para a vinda de seres de outros planetas. Eles pertenciam a algum sistema solar em extinção e vagavam pelo espaço. Mas, possuíam cultura muito mais desenvolvida que a nossa.

Os viajantes extraterrestres, após se certificarem a respeito das condições ambientais de nosso planeta, resolveram ficar na Terra. Soltaram os animais e insetos e plantaram as sementes que traziam consigo. No início, a espaçonave servia-lhes de abrigo, porém, com o passar do tempo, ela se desintegrou e foi reduzida a pó. As ferramentas gastaram-se e ficaram inutilizadas.

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Nebulosa Hélix, a 650 anos-luz da Terra, fotografada pelo telescópio espacial Hubble

Começou a vida árdua e a dura adaptação. O tempo foi passando. As gerações sucediam-se e iam esquecendo sua cultura e sua língua. As famílias separaram-se, transformando-se em nomandes. Os animais passavam pelas mesmas transformações, adaptando-se e acomodando-se ao clima. Conforme as condições existentes ao longo de milhões e milhões de anos, os animais cresciam, evoluíam ou retrocediam, deixando espécies extintas ou transformadas.

Os nossos antepassados que vieram de cultura avançada retrocederam para a situação de homens das cavernas. Em seguida, passando outros milhões anos, começaram a evolução que hoje chega ao ponto de permitir a construção de foguetes e espaçonaves.

Atualmente, o nosso planeta segue para sua extinção, seja através de guerras nucleares, seja pela esterilização ou envenenamento do meio ambiente pela poluição. A mudança das condições atmosféricas contribuirá para derreter as camadas de gelo dos pólos que, por sua vez, cobrirão  nossos continentes com água.

Para que isso ocorra, podem ainda transcorrer centenas de anos. Então, já estaremos aptos a mandar nossas espaçonaves para outros sistemas solares, procurando por planetas, semelhantes à Terra, onde recomeçará um novo ciclo de vida animal e vegetal.

Será isso possível? A estrela mais próxima da Terra é Alfa-Centauro, distante de nós quatro anos e meio à velocidade de luz. Para dar um exemplo desta distância: um foguete que viajasse a 40 mil quilômetros por hora (atual velocidade máxima dos satélites) gastaria 121 mil anos na viagem! Todavia, para imaginar uma solução, podemos recorrer à teoria de Albert Einstein. Ele afirmou e foi demonstrado que, caso um corpo se desloque à velocidade da luz, o tempo em seu interior fica parado. Assim,  viajando numa astronave que se deslocasse nessa velocidade, os astronautas nunca envelheceriam com relação ao tempo transcorrido na Terra enquanto ficassem no seu interior, apesar de se passarem milhões de anos terrestres.

Como isso pode acontecer? A ciência no último século desenvolveu-se mais que desde o homem das cavernas até o inicio do século 20. Assim não demorará até descobrir, por exemplo, um motor espacial impulsionado por raios laser. Aliás, um cientista alemão, Prof. Sänger, estava trabalhando há pouco para desenvolver uma lâmpada cujas partículas de átomos postos em contato com um gás geravam um raio de luz fortíssimo, que teoricamente poderia impulsionar um foguete no espaço sideral à velocidade de luz, ou seja, 300 mil quilômetros por segundo. O que para nossos avós não passava de fantasia, hoje constitui uma realidade corriqueira vista por nossos filhos.

Na natureza nada se perde, tudo se transforma e o ciclo da vida continua. Poderão ocorrer transformações, porém, nenhuma metamorfose poderia criar um ser que pensa, sente e, principalmente, possui uma alma.

Não somos os únicos no Espaço. Os ruídos que as antenas da radioastronomia captam são sinais que percorreram milhares ou milhões de anos-luz antes de chegar à nossa Terra. São uma prova de que não estamos sós no Universo...

(*) Ben Abraham é escritor, jornalista e Vice-Presidente Mundial da Associação das Vítimas do Nazismo. Entre suas obras já publicadas, está o livro Além do Infinito

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