alfabetização, no Brasil, será

coordenada por venezuelanos

O Programa Brasil Alfabetizado, lançado pelo governo federal há um mês, está causando polêmica entre cientistas e educadores filiados ou simpatizantes do PT. É que o projeto, envolvendo recursos da ordem de R$ 278 milhões, será coordenado por técnicos da Venezuela, país que, devido às próprias deficiências, precisou valer-se do apoio e assessoramento de Cuba para implementar algo semelhante em seu território. Isso é considerado indício de que os técnicos venezuelanos não possuem condições acima dos educadores brasileiros para gerir um processo como o proposto pelo governo para erradicar o analfabetismo do País até 2006.

De acordo com o cronograma apresentado no lançamento, serão alfabetizadas 3 milhões de pessoas em 2003, 6 milhões em 2004, 6 milhões em 2005 e 5 milhões em 2006, num total de 20 milhões de jovens e adultos.

Diante do quadro, o vice-presidente da Comissão da Câmara dos Deputados, deputado federal Lobbe Neto (PSDB/SP) encaminhou ao ministro da Educação, Cristóvam Buarque, requerimento de informações com as seguintes perguntas:

"1.Qual o respaldo científico dos técnicos venezuelanos que justifique a contratação destes, para coordenar o Programa de Alfabetização de Adultos no Brasil?
"2.Quantos técnicos serão contratados e quais os nomes, respectivos currículos e obras publicadas sobre o tema, objeto deste requerimento?
"3.Qual o valor dos honorários acordado com cada técnico venezuelano?
"4.Qual o parecer dos demais especialistas brasileiros envolvidos na implementação deste Programa?"

Ajuda externa

Ao justificar o requerimento, o parlamentar qualificou a proposta como louvável e arrojada, tendo em vista "a capacitação técnica e condição intelectual de nossos cientistas e educadores para a implementação e condução de tal obra." Ressaltou que, por isso mesmo, "é de se estranhar e questionar a capacidade técnica e a real necessidade da contratação de especialistas venezuelanos para coordenar este Programa em nosso País, uma vez que, a própria Venezuela adotou o plano de alfabetização de Cuba e precisou contar com o assessoramento de especialistas daquele País. "

Diz também: "É mister lembrar que, no discurso de lançamento do Programa de Alfabetização de adultos, o Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva ressaltou com veemência, no décimo sétimo parágrafo de seu discurso, a necessidade em "cuidar de nossos educadores" alegando que "...os educadores brasileiros muitas vezes são mal remunerados, muitas vezes estão desmotivados e precisam ser motivados...".Lamentavelmente, mais uma vez, a desmotivação se fez presente quando, em nota veiculada no Caderno Política do Correio Braziliense do dia 4 de outubro de 2003, o Secretário Nacional da Alfabetização anunciou que o Brasil vai implementar o referido Programa sob a orientação de técnicos da Venezuela provocando a indignação dos educadores do PT." Finalizou ressaltando acreditar que "esta indignação não é exclusiva dos educadores do PT, mas naturalmente refletem a indignação de todos educadores de nosso País, cujos representantes são constantemente convidados e contratados para implementar, coordenar ou assessorar programas similares e outros mais complexos em diversos países da América, Europa e Ásia".

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