logo_matraca.gif (21284 bytes)A MATRACA

Assis Corrêa Neto (*)

CORRUPÇÃO CONTINUA À SOLTA

A corrupção é um câncer que a humanidade ainda não conseguiu extirpar. Está presente nos cinco continentes. Nem a pena de morte existente em alguns países conseguiu eliminá-la . No Brasil, é endêmica. Veio com a Corte Portuguesa e não parou mais. Vê-se em todos os poderes. Executivo, Legislativo e Judiciário estão contaminados por alguns dos seus membros.

A roubalheira é tão grande que, se fossem recuperados,  os recursos desviados colocariam nosso País em situação privilegiada. Não faltariam educação e saúde, itens que comprometem sobremaneira o Estado brasileiro.

A Ong Transparência Internacional acaba de divulgar relatório em que classifica o Brasil como o 54.° país mais corrupto do mundo.

A corrupção será combatida eficazmente apenas quando a sociedade perceber que ela retira recursos de nossas crianças, da educação, da saúde, da geração de empregos, da segurança e do desenvolvimento

A honestidade já causava preocupação na antigüidade. Diógenes, filósofo grego , o mais conhecido dos cínicos, discípulo de Antístenes que foi aluno de Sócrates, fundador da Escola, era famoso no século IV A.C. Nasceu na cidade de Sinope, onde seu pai era encarregado da casa de cunhagem de moedas. Mudou-se depois para Atenas, onde viveu em extrema pobreza. Sustentava que felicidade se obtém pela satisfação das necessidades da maneira mais econômica e simples. Afirmava que tudo quanto é natural não é desonroso, nem indecente, e portanto deve ser feito em público. As convenções contrárias a estes princípios não deveriam ser observadas. O indivíduo deve bastar-se a si mesmo.

Sua figura em pouco tempo atingiu perfil lendário. Foram-lhe atribuídas múltiplas anedotas, entre elas uma relativa a Alexandre Magno. O monarca deteve-se diante do barril em que Diógenes morava e, fazendo-lhe sombra, perguntou-lhe o que desejava. Diógenes respondeu: "Que não me tires o que não me podes dar." Era a luz do Sol. Sentia tal desprezo pela humanidade que era comum vê-lo, em pleno dia, com uma lanterna na mão "à procura de um homem honesto". Que saudades daqueles tempos!

TV A CABO PARA OS ESTRANJA

Foi na calada da noite. O Senado claudicou mais uma vez.

Em surdina, contrariando todos os pareceres do Conselho de Comunicação Social e de outras das entidades que congregam a comunicação, ignorou as posições contrárias e está prestes a aprovar projeto de lei, permitindo que o capital estrangeiro participe com cem por cento nas empresas de televisões a cabo. O autor da façanha é o senador Ney Suassuna. Trabalhando em silêncio, conseguiu sua aprovação na Comissão de Educação do Senado sem, estranhamente, nenhuma manifestação de seus pares. Tem marmota nessa história. O projeto tramita há mais de um ano sem a menor manifestação dos senadores em matéria de tamanha importância para o País.

Os alienígenas que dominam o sistema bancário já podem participar dos jornais, rádios e televisões com trinta por cento do capital. Se o projeto passar no plenário, vão deitar e rolar.

O País ficará à mercê de gente sem nenhuma ideologia, a não ser a ditada pelo dinheiro. E isso determinará a alienação da soberania nacional através de programas gerados sem a preocupação de preservar os interesses do povo brasileiro. Por onde passaram e continuam passando, esses endinheirados deixaram seu cheiro de carniça e lançaram ao desemprego milhares de

profissionais independentes, mutilando nossos costumes culturais, filosóficos e religiosos.

Necessário uma cruzada para impedir, se queremos manter a soberania nacional, mais uma tentativa da alienação e entrega do País para os alienígenas que já dominam grande parte de nossa economia. 

REFORMA DO JUDICIÁRIO

"A reforma do Judiciário é indispensável e urgente, seguida da reformulação dos códigos processuais e Penal, sob pena de aumentar a violência e a criminalidade". São afirmações do consagrado jurista Domingos Mantelli Filho, advogado, professor e escritor de livros como "Resgate da Cidadania", "Ônus e Bônus do Poder" e "Arbítrio, Razão e Liberdade", lançado recentemente.

Ele assevera que "nossos juizes e tribunais, bem como promotores de justiça , por demais jovens e de pouca experiência de vida, impõem aos advogados um cuidado redobrado durante o curso processual, idealizando e reclamando as providência pertinentes. Sem atuação permanente dos profissionais do Direito, inexiste Justiça e proteção à sociedade, de vez que, o direito antecede à lei. E suas excelências, magistrados e promotores, recebem seus proventos da população que paga com sacrifício pesados tributos." Falou e disse.

Domingos Mantelli Filho foi Procurador Chefe da Fazenda, vereador à Câmara Municipal de São Paulo, secretário da Administração Municipal e presidente da PAULISTUR, possuindo ainda vitoriosa banca de advocacia.

É importante que se retorne urgentemente à reforma do Judiciário, adormecida há doze longos anos no Congresso Nacional, para que se possa realmente começar a construir o necessário caminho da aproximação entre Justiça e a sociedade.

ESTATUTO DO IDOSO CHOVEU NO MOLHADO

A proteção ao idoso está inserida na Constituição Federal. Em seu artigo 230, diz: "A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem estar e garantindo-lhes o direito à vida."

Agora os "pais da pátria", depois de sete anos dormindo no Congresso, aprovaram o Estatuto do Idoso. Choveu no molhado. Somos o País dos estatutos que não pegam, como muitas leis inócuas que vagueiam pela aí.

Não é um simples Estatuto que resolverá o problema da velhice muito discriminada. Pessoas com mais de cinqüenta anos não têm condições de conquistar emprego. A sociedade dá a impressão de que o velho não é capaz de trabalhar. Na verdade, quanto mais velha a pessoa, mais experiência e condições de ensinar aos mais jovens apresenta. Mas, o mercado é inacessível aos idosos, o que lhes proporciona um amargo sabor de exclusão e inutilidade.

Outra situação inaceitável por que passam pessoas idosas da classe menos favorecida, ou seja, a maioria, é a precária assistência à saúde. As longas filas, muitas vezes madrugada a dentro, que precisam enfrentar para serem atendidas – quando chegam a ser – são uma indignidade. Sem falar nas dificuldades de internação hospitalar e aquisição de medicamentos.

Oxalá esse Estatuto, numa sociedade em que se supervaloriza o lucro, a produtividade, a eficiência e a juventude do corpo, permita ao idoso marginalizado e desvalorizado encontrar um lugar ao Sol. É o que se espera.

(*) Assis Corrêa Neto é jornalista. assiscorreaneto@uol.com.br

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