Bush aumenta pressão:

quer a cabeça de fidel

Fracassou o esforço para acabar com a briga entre Estados Unidos e Cuba, no qual até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se envolveu.

Pressionado pela comunidade de origem cubana nos EUA, cujos votos considera importantes para sua reeleição, o presidente George Bush baixou dia 10 uma série de medidas coercitivas com as quais, segundo declarou, pretende demolir o regime comunista vigente há 40 anos naquele país do Caribe. Terminou seu pronunciamento nos jardins da Casa Branca exclamando em espanhol: "Cuba será livre em breve!"

O chefe da missão diplomática de Cuba nos EUA, Dagoberto Rodriguez, retrucou, dizendo que Bush deveria ""parar de atuar como um caubói fora da lei". Três dias depois, o Ministério de Relações Exteriores cubano emitiu declaração sob o título "Dignidade e firmeza perante a crescente hostilidade e arrogância do Império" para verberar a atitude do presidente norte-americano. (Clique aqui para ler matéria à parte)

O anúncio de Bush foi feito durante um ato para comemorar o início da guerra de independência de Cuba, contra a Espanha, em 1868. O discurso tinha como público prioritário os grupos de exilados cubanos dos EUA, em grande parte responsáveis pela eleição de Bush na tumultuada votação da Flórida em 2000.

Cerca de 700 mil cubanos vivem na Flórida e desenvolvem permanente campanha contra a "ditadura do proletariado" existente em seu país. Os 400 mil eleitores cubano-americanos do Estado votaram em peso em Bush e vinham cobrando há meses medidas de endurecimento contra o sistema do presidente Fidel Castro.

Em julho, Bush fora fortemente criticado por esses cubanos ao mandar de volta à ilha 15 dissidentes que haviam seqüestrado um barco e ingressado ilegalmente nos EUA. No início do ano, houve uma onda de repressão em Cuba, com a condenação de 75 dissidentes a até 24 anos de prisão. Três outros, que haviam seqüestrado uma lancha de passageiros à mão armada, foram julgados e fuzilados em dois dias. Isso inibiu um crescente movimento de políticos e empresários dos EUA pelo fim do embargo à ilha.

No ano passado, Bush dissera que suspenderia o embargo se Fidel concordasse em realizar eleições diretas e democráticas neste ano. Isto não aconteceu e, agora, Bush prometeu identificar ""rotas seguras e legais" para que mais cubanos possam se exilar nos

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Bush prometera suspender o bloqueio se houvesse eleições livres e diretas. Fidel não fez. Sob pressão dos exilados, Bush decretou mais arrocho.

EUA, aumentar a concessão anual de vistos a dissidentes e controlar com mais rigor as viagens de norte-americanos a Cuba.
Será criada uma comissão comandada pelo secretário de Estado, Colin Powell, e pelo secretário de Desenvolvimento Urbano, o cubano-americano Mel Martinez, para, segundo Bush, ""planejar o feliz dia em que o regime de Castro tiver terminado e Cuba se converter em uma democracia".

Também as transmissões da Rádio e TV Martí dos EUA para Cuba serão intensificadas com o objetivo de romper o monopólio informativo do Partido Comunista cubano.
O cerne do plano anunciado pelo presidente estadunidense está nas restrições mais rigorosas para viagens de americanos à ilha e na adoção de "facilidades redobradas" para concessão de vistos a cubanos que desejem ingressar nos EUA.

A atual cota de vistos (20 mil por ano) foi estabelecida em acordos de imigração entre Washington e Havana para evitar o êxodo maciço de cubanos. Apesar da promessa de "redobrar as facilidades" para a concessão de vistos, Bush não deixou claro se ou em quanto essa cota será ampliada.

Recentemente, Bush cancelou um programa que permitia a ida anual de 25 mil norte-americanos a Cuba. Os EUA passaram a autorizar apenas viagens em "caráter excepcional". O presidente estadunidense determinou agora que o Departamento de Segurança Interna de seu país aumente as inspeções de carregamentos destinados ou vindos de Cuba e que haja um controle ainda maior sobre os americanos que viagem à ilha, partindo dos EUA ou outros países.

Próximo texto: Declaração do Ministério de Relações Exteriores de Cuba (clique aqui)

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