Brasil, País dos hackers

Em tempo de Big Brothers, onde câmeras estão apontadas para todos os lugares e a privacidade das pessoas é jogada fora, um simples computador pessoal pode se tornar o inimigo número um da intimidade, pois existe quem viva para quebrar regras e procedimentos eletrônicos. E esses usurpadores do âmago alheio são chamados de hackers ou crackers.

Aparentemente, hacker e cracker são a mesma coisa. O primeiro é aquele que usa seus conhecimentos para sua diversão, por aventura, pelo desafio de entrar num sistema cujo acesso é proibido. O segundo, já não. Ele utiliza suas qualidades invasoras para quebrar senhas e lesionar o cidadão que confia em serviços eletrônicos cada vez mais vulneráveis.

Com leis digitais brasileiras escassas e ineficientes, o maior atrativo para quem quer dominar um outro computador é a impunidade. E não é necessário muito esforço. Um pouco de inteligência, um outro tanto de paciência e uma conexão rápida, já bastam. Há muitos sites espalhados pela rede mundial de computadores que ensinam como invadir um computador e o jeito certo (se é que existe regra) de se tornar um desses invasores da era digital.

A polícia de São Paulo tem muito trabalho para encontrar os criminosos virtuais. Com cerca de 20 agentes, a Divisão de Investigações de Delitos por Meios Eletrônicos, ligada ao DEIC, esbarra na legislação federal de 1988 - um ano em que a população nem sonhava com internet. E se encontrar um "cyberintruso" pela frente, só poderá prendê-lo se ele tiver cometido algum crime como, por exemplo, obter o número de um cartão de crédito ou a senha de uma conta corrente. Em síntese: invadir um computador ou transmitir um vírus não caracteriza crime. E para a polícia fica valendo a velha história do cachorro que corre atrás do próprio rabo.

Talvez por esta razão é que os intrusos virtuais prefiram o Brasil para desafiar seus conhecimentos. E, para nossa sorte, o que os motiva, na maioria das vezes, é esse sentimento desafiador, sem compromisso com a criminalidade digital.

Os Estados Unidos e a Europa estão saindo na frente e criando leis específicas, que punem crimes cometidos na rede mundial de computadores. Um caso à parte é a tão falada troca de MP3. Grandes gravadoras do mundo todo estão se mobilizando para criar meios de barrar a transferência de arquivos. E estão querendo processar até o simples estudante que procura e baixa uma musiquinha para seu computador pessoal. Mas esse é um assunto que abordaremos nas próximas semanas.

Todavia, o ideal é que os países se unam e criem tratados internacionais mais firmes e que realmente combatam o cybercrime.

Na contra-mão dessa história toda, há quem use seus dotes para criar softwares de segurança e prestar consultoria às grandes empresas. Estima-se que, em todo o Brasil, já houve cerca de 96 mil invasões contra sites e computadores pessoais. E é aí que entra o trabalho desses hackers do bem.

Os grandes sites e as empresas poderosas são os alvos principais dos invasores digitais. A Microsoft, por exemplo, é a campeã. Versões do Windows NT 4, Windows 2000 Server e XP Professional são os preferidos dos intrusos. O Internet Explorer vem logo atrás. E todas as versões do browser da Microsoft já sofreram algum tipo de dominação virtual. A ganância dos hackers é encontrar erros nos programas. Não é à toa que a Multinacional do sr. Bill Gates disponibiliza, quase diariamente, downloads gratuitos com atualizações de seus produtos.

Quem utiliza seu computadorzinho pessoal e quer ter um pouco de sossego, pode entrar em sites de downloads grátis (o www.superdownloads.com é muito bom) e se proteger (ou tentar).

No próximo interneteando, falaremos de SPAM. Uma praga virtual que enche sua caixa postal com baboseiras e produtos mirabolantes. E que você não tem vontade nenhuma de comprar.

 

* Sérgio Quintella da Rocha (serginhoqr@uol.com.br) é estudante de jornalismo.

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