TEMPO DE PLANTAR, TEMPO DE COLHER

Essa é mais uma das metáforas usadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para rebater críticas de que o País se encontra estagnado. Baseou-se, naturalmente, em Eclesiastes onde se lê, no versículo três, que "há tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou".

Houve o plantio e a colheita. Depois de onze meses, bichou. É o que informa o IBGE. A economia nacional permanece estagnada. Apresentou tão-somente um desempenho bem abaixo do esperado no terceiro trimestre, que foi de 0,4%, correndo o risco de crescimento zero em 2003. A queda da ordem de 6,7% na produção agropecuária no terceiro trimestre foi uma das principais causas da frustração das previsões de crescimento.

A construção civil, um dos termômetros para aferir o crescimento da economia, chegou ao fundo do poço. Apresenta queda acumulada de 7,7%. É o pior desempenho registrado desde l992. Outros setores mostraram retração e o desempenho da economia brasileira foi bem pior que a estimativa dos analistas de plantão. Bateram cabeça, cada um apresentando uma projeção. O pau está quebrando na cúpula governamental. Espetáculo do desenvolvimento foi adiado.

O grande problema é o desemprego aumentando, enquanto a renda do trabalhador se retrai. A taxa de desemprego está na faixa dos 11,2 por cento da força de trabalho. Desde 1999, o poder de compra dos trabalhadores já sofreu uma redução da ordem de 20 por cento. E perto da metade ocorreu no último ano. Na grande São Paulo, existem dois milhões e meio de desempregados. É bom lembrar que, em campanha, Lula prometeu criar dez milhões de empregos em quatro anos. As corporações de trabalhadores – CUT e Força Sindical – fazem um alerta, dizendo que "estamos entrando num período de caos social e de desesperança".

OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE

Basta ocorrer um crime bárbaro envolvendo menores para se voltar à cansativa polêmica de que precisamos acabar com a menoridade penal.

Esses delitos ocorrem com muita freqüência e um dos mais recentes foi o assassinato do casal de namorados Liana Friedenbach e Felipe Caffé, vitimados por um menor celerado.

Não é novidade para ninguém que a sociedade vive amedrontada pela banalização do crime, na qual a sensação de insegurança é crescente.

Os conhecidos paladinos dos direitos humanos para criminosos estão em campo, argumentando que o menor não tem discernimento para aquilatar o que é bom e o que e mau. É a falácia de interesses ocultos de operadores do direito, autoridades e outros à procura de holofotes.

Faz cinqüenta anos que minha querida irmã Odete, esperando filho e com apenas 27 anos, foi barbaramente assassinada por dois facínoras. Um deles menor, de l7 anos. Foi solto e, ao chegar à maioridade, voltou a delinqüir e a matar. Esses bandidos são irrecuperáveis.

Atualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente permite a internação máxima por três anos dos menores de dezoito anos autores de assassinato. Já está na rua intensa campanha pela redução da maioridade penal de l8 para l6 anos. Não basta. Esses facínoras continuarão matando.

Muito bem recebido o posicionamento do cardeal dom Aluísio Lorschider e do rabino Henry Sobel, influentes lideres religiosos, defendendo a pena de morte. Muito sábias as determinações do livro Deuterenômio, capitulo 19, que em seu versículo 21 diz: dente por dente, olho por olho, mão por mão, pé por pé.

COMO CRIAR UMA ONG

O Brasil é o paraíso da picaretagem. Basta surgir uma idéia  e dar certo que os espertalhões se aproveitam para morder os incautos e menos avisados. São entidades filantrópicas de fachada, que deveriam ser chamadas de "pilantrópicas". Campo livre para o achaque.

Pois, agora, surgiu um novo golpe. São as Ongs, entidades não governamentais, que aparecem da noite para o dia.

No Brasil existem aproximadamente cinco mil, das quais quinhentas se dedicam ao meio ambiente. Uma CPI do Congresso estima a existência de 250 mil entidades. Nem com reza brava se conhece sua origem, seus patrocinadores, o que fazem e quanto arrecadam. O nome "organização não governamental" não se aplica a grande parcela das ONGS quando se lança um olhar nas contas do governo. Essas organizações, muitas fantasmas, já levaram somente este ano mais de duzentos milhões de reais. São centenas de entidades recebendo milhões dos cofres públicos, sem haver qualquer controle e fiscalização.

Estimativas indicam que dois bilhões de reais anuais estão à disposição dessas ONGs. O negocio é tão promissor que está sendo publicada a quarta edição do Manual dos Fundos Públicos, com dicas sobre como obter recursos a fundo perdido ou na forma de linhas de crédito subsidiados e incentivos fiscais. Também a Fundação Getúlio Vargas editou o "Manual da ONG" , encontrado em livrarias como mapa da mina

Faz lembrar a grande picaretagem na SUDENE e SUDAN, extintas pela desenfreada corrupção.

PANACÉIA PARA CURAS MIRACULOSAS

Tem calo arruinado, caspa, unha encravada, úlcera gástrica, obesidade, diabetes, calvície e outros males? Fique tranqüilo. Poderão ser curados milagrosamente. Ervas, chás, cremes e outras poções resolvem.

É o "merchandising" curativo praticado por TVs nos horários vespertinos, infernizando a vida dos telespectadores. Apresentadores não se acanham ao demonstrar o valor dos produtos, verdadeiras panacéias para curar ou evitar todos os males do corpo. Produtos vendidos em suaves prestações mensais, com cheques pré-datados, sem nota fiscal, além de bonificações de todo nível. Outros produtos enganosos também são oferecidos, como métodos para deixar de fumar, eliminar bicos de papagaio, calvície etc.

ONGS que cuidam da biologia marinha precisam se manifestar sobre os milhões de tubarões sacrificados para extração de cartilagem, essencial para a sobrevivência da espécie. Cartilagem e cogumelo de sol, indicados para "curar" qualquer doença.

Esses programinhas enganosos partiram agora para anunciar, insistentemente, a compra de veículos novos ou usados, motos, casa nas cidades e na praia ou campo. Podem ser adquiridos com

prestações inferiores ao que se gasta na condução ou no aluguel. Tudo isso sem fiador, com ficha cadastral suja, informações negativas do SPC, certidão positiva do CERASA, títulos protestados, isto é, sem as condições normalmente exigidas na venda a credito.

Planos de saúde, cobrando os olhos da cara, que se cuidem. Há, na TV, individuais ou familiares por menos de vinte reais mensais, com médicos e exames laboratoriais a domicílio, sem nenhum acréscimo.

O desemprego cruel pode ser amenizado. Basta adquirir "kits" para produzir bijuterias, coalhada e outros produtos. Dessa forma, serão resolvidos os problemas do transporte, a crise da indústria automobilística, o desemprego, a falta de habitação...

Está na cara que se trata de propaganda enganosa. Já passou a hora de os ministérios da Fazenda, Saúde, Justiça, além das secretarias da Justiça, Saúde e o PROCON, verificarem o que há de real nessas fabulosas promessas.

MATA O VELHO

Jamais assisti a cenas tão violentas e cruéis. A televisão exibindo idosos a caminhar com dificuldade, outros em cadeiras de rodas e também muitas centenas nas filas das agências do INSS para o recadastramento. Velhos de noventa ou mais anos sem receber seus proventos pela esdrúxula medida do ministro Berzoini, que suspendeu o pagamento aos velhinhos da imoral, pornográfica e ridícula aposentadoria que a Previdência lhes destina.

Os aposentados, como sempre acontece, são responsabilizados pelos roubos que ocorrem há anos nessa previdência tão mal conduzida. Deram sua contribuição ao País durante décadas e agora um tecnocrata insensível suspende os seus proventos.

É o prêmio que receberam depois de menos de um mês da sanção, como sempre com festança, desse inócuo Estatuto do Idoso.

Face à repercussão negativa, o ministro foi para à televisão, dizendo com arrogância que não devia desculpas aos aposentados porque o INSS positivou que muitos defuntos "recebem" a grana. Foi preciso que o presidente Lula, da África, lhe passasse uma carraspana.

Voltou à TV com o rabinho entre as pernas, desta vez com humildade, para dizer que o prazo seria estendido até o final do ano. Depois, novamente com a cara de pau que lhe é peculiar, voltou mais uma vez para informar que os velhinhos terão mais cinco anos para propor ação de revisão de aposentadoria contra INSS.

Em qualquer país civilizado, onde os idosos contam com efetiva assistência do governo, o ministro estaria no olho da rua. Mas, nada ocorreu. 0 presidente Lula aceitou as desculpas e ainda lascou-lhe um elogio.

Por causa desses incompetentes é que a imagem do presidente entrou em declínio. Muito bem bolada a iniciativa do PFL em criar o "Troféu Berzoini de Crueldade Popular."

É A VOLTA DA ESTATIZAÇÃO?

Quando Getúlio Vargas, voltou ao governo, em 1950, destacou-se pela criação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, atual BNDES, instrumento vital para alavancar nosso processo de desenvolvimento. Centenas de empresas genuinamente nacionais foram beneficiadas, tornando o País menos dependente de capital externo no setor industrial. Representou o ideário nacional desenvolvimentista que dominou o pensamento econômico nas décadas 50 e 60.

Mas, o BNDES desviou-se e continua fora de rota. Transformou-se em hospital para empresas inadimplentes, aquisição de outras, empréstimos a países latinos e financiamentos fora da órbita industrial.

Causa espécie, por exemplo, a compra da Companhia Vale do Rio Doce, demonstrando o inicio de um processo de reestatização no Brasil.

O setor da mídia bateu às suas portas. Jornais, revistas, TVs e rádios, em bloco, aguardam polpudo financiamento. Muito estranho e suspeito.

Venezuela, Bolívia, Peru, Argentina, Paraguai, Equador vão entrar nessa boquinha rica. São três bilhões de dólares. O dinheiro da viúva para consolidar a ambição brasileira em termos de liderança na América do Sul.

DE OLHO NO CONSELHO DA ONU

O Brasil está entre os países devedores do tribunal criminal da Organização das Nações Unidas. Deve 61 milhões de dólares. Os apuros do tribunal refletem as dificuldades financeiras vividas pelo conjunto da ONU.

Continuamos na escalada de conseguir uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU. O governo já comemora com antecedência o fato de ter voltado como membro não permanente. Está a um passo de tornar-se membro efetivo. Mas, isso não passa, no momento, de um projeto que pode levar anos antes de ser implementado, se é que um dia o será. Isso só poderia acontecer no contexto de uma reforma da ONU, o que evidentemente encerra grande complexidade. Todos concordam em que essa organização de mudanças. Mas, o consenso termina aí. Além do Brasil, são candidatos Alemanha, Japão, México, Argentina, Nigéria e Paquistão. Quem vencerá?

TÚNEL DO TEMPO

No auge de seu governo, Juscelino Kubitschek rompeu com o Fundo Monetário Internacional – FMI. Não concordava com sua política de entravar o progresso de países subdesenvolvidos do Terceiro Mundo, assim como com o fato de o FMI estar ingerindo indebitamente no governo e dificultando o cumprimento de suas metas.

Fez um alerta que os seus sucessores nunca seguiram. Somos como muitos países latino-americanos, submissos. O Brasil estuda a assinatura de novo. Os lá de cima dizem que o País não necessita do empréstimo. Seria apenas precaução para o caso de haver uma crise internacional. Vão continuar nos comendo por uma perna. Este ano já pagamos de juros ao polvo insaciável muitos bilhões de dólares.

Ao romper com o organismo, JK, em histórico pronunciamento afirmou: "uma conclusão se impunha. A de que seu comportamento que obedecia a um esquema secreto, tendo por objetivo conservar as nações subdesenvolvidas da América Latina sempre atrasadas. Não digo que essa política fosse o resultado de um plano elaborado no interior do FMI. Talvez fosse melhor defini-lo como conseqüência de um acordo entre as grandes potências, com o objetivo de conservar as nações subdesenvolvidas como simples fornecedoras de matérias-primas e fornecendo seus produtos a preços impostos por grupos financeiros internacionais". Falou e disse.

(*) Assis Corrêa Neto é jornalista. assiscorreaneto@uol.com.br

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