Crimes Digitais X Ineficácia Corporativista

Se São Paulo é a "Terra da garoa" e o Rio de Janeiro é a "Cidade Maravilhosa", podemos chamar o Brasil de "o País da Picaretagem".

E não é que esta Coluna recebeu um e-mail dizendo ser do Banco do Brasil? Um texto bem escrito induzia o internauta a entrar em um link e "atualizar seus dados cadastrais". O processo era simples. Digitar os números da agência e da conta, mais a senha do cartão. Pronto. O cadastro estava feito e um muito obrigado saudava a vítima.

Com vontade de "botar a boca no trombone" e consertar o mundo, este colunista entrou em contato com a polícia através do número 190. A resposta: "ligue para o número 174", da Polícia Civil. O número não atendia.

Fui tentar o Disque-Denúncia. Como o site era um espelho da página original do Banco do Brasil, não pude registrar queixa.

Agora chegou a vez de tentar ligar para a Delegacia de Crimes Eletrônicos, vinculada ao Deic. Ninguém atendia também.

A última cartada foi telefonar para o próprio banco. A atendente informou que a empresa está sabendo de algumas fraudes e que eu poderia ficar despreocupado. Ponto final. E nada resolvido.

Se o nosso País ainda é aquele em que as pessoas caem no truque, ou melhor, no estelionato do bilhete premiado, imaginem só o que acontece com o cidadão que não conhece ainda os crimes digitais? Mas parece que sai mais barato para as empresas ressarcirem eventuais danos aos clientes do que criar políticas de segurança para evitar esse tipo de golpe.

 

Música na Internet. De simples diversão a problemas judiciais.

Anos 80. Tempos de Blitz, RPM, Plebe Rude etc. Tudo era novidade. Quem (com mais de 20 anos, claro) nunca ficou esperando o rádio tocar as músicas dessas e de várias outras bandas para poder gravá-las? Ou então quem não pedia discos emprestados para poder reproduzi-los em uma fita? A gravação ficava com um som muito ruim, mas a sensação de poder ouvir sua canção preferida valia a pena. Tinha até quem gravasse a mesma música várias vezes na mesma fita só para ouvi-la repetidamente.

Hoje, isso virou coisa do passado. Agora, quem quiser qualquer música (inclusive aquelas velhas) pode baixá-las da Internet. E em MP3.

Trocando em miúdos e sem querer usar termos muito técnicos, o MP3, que significa Mpeg Audio Layer, apareceu para compactar o som em arquivos menores, sem perder a qualidade. O resto é linguagem digital e que não vem ao caso.

Depois do surgimento desse formato, houve um, digamos, aumento de demanda. Os internautas queriam um acesso facilitado a esses arquivos. E aí surgiu o Napster.

Essa ferramenta foi criada em 1999 por um estudante de 19 anos chamado Shawn Fanning. E tinha a finalidade de permitir que vários usuários compartilhassem seus arquivos. Tudo graças (e de graça) a um servidor central. Como a Internet tem o dom da propagação quase imediata, o Napster logo virou mania mundial. E esse foi o estopim para uma das maiores discussões e brigas judiciais dos anos 90/2000.

De volta aos anos 80. Com o surgimento do videocassete, as grandes empresas diziam que a

reprodução de filmes violava direitos autorais. Só depois de muita discussão é que o problema foi solucionado, deixando liberada a reprodução sem fins comerciais.

Com o Napster, a história foi outra. As grandes gravadoras, acostumadas a colocar o preço do CD lá em cima, viram o cerco se fechar e os dólares escapando por entre os dedos. As músicas estavam sendo difundidas, baixadas e copiadas por internautas.

O tempo foi passando (um ano, aproximadamente) e os milhões de usuários conectados em todo o mundo já estavam acostumados a navegar em um site em que todo tipo de som era achado. Mas, como tudo o que é bom dura pouco, o Napster foi condenado diversas vezes e teve de encerrar suas atividades.

 Só que a coisa não parou aí. Enquanto seus precursores afirmavam que a difusão não era comercial e tentavam ganhar tempo para burlar as fiscalizações, logo apareceram outros programas - alguns até melhores do que o velho Napster. Hoje, o Kazaa (www.kazaa.com) é a bola da vez. E seus usuários podem fazer downloads de músicas, filmes, textos, jogos, programas e tudo o que o computador do outro usuário tiver. Um prato cheio para os "hackers", entretanto. Mas esse é um outro assunto.

A má notícia é que, agora, a justiça norte-americana já está detectando e processando quem copia música da Internet. E até o simples internauta está sujeito a levar nas costas um megaprocesso e ter de deixar até as calças para essas grandes empresas. Tudo em nome do dinheiro supostamente perdido.

A Coluna INTERNETEANDO já divulgou nas edições passadas que o Napster voltou a funcionar. Mas só depois de acordos com as gravadoras e com o pagamento pelas músicas baixadas. No final das contas, um "cdzinho" de vinte músicas baixado pelo Napster sai mais caro do que um original. Pelo menos no Brasil.

CURTINHAS

MAIS SPAMS

Você, amigo leitor, não agüenta mais ouvir falar de SPAM? Então se mude para os Estados Unidos. É que lá essa prática de envio comercial de e-mail tornou-se ilegal. O projeto, já sancionado pelo presidente Bush, prevê multa e prisão para quem pensa em atormentar a vida dos internautas.

A medida ainda não começou para valer, mas já serve para amedrontar quem pratica esse tipo de "marketing-mala".

E você também não suporta mais receber mensagens de texto no seu celular, falando de promoções que você não tem nenhuma vontade de participar? Se mude para lá, também. A lei federal americana aproveitou e proibiu esse tipo de veiculação não desejada.

E não adianta fazermos a pregação de que os políticos brasileiros devem se mexer logo e também criar medidas assim. Iremos gastar saliva e teremos perdido boas horas de sono. Além de haver a possibilidade de vermos a proposta não funcionar, porque todos sabem que no nosso País há as leis que pegam e as que não pegam.

Site do Mês

O site abaixo mostra os clichês mais comuns e mais falados por todos. De jornalistas a advogados, de políticos a economistas. Eis o "link": www.homemchavao.kit.net

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