"Com esses absurdos que estão acontecendo, é preciso fazer alguma coisa. Eu defendo a redução da maioridade penal, mas acho a pena de morte muito radical, perigosa e delicada", afirmou o cantor e compositor Roberto Carlos durante o lançamento do seu novo disco, "Pra Sempre" (Sony Music), o primeiro nos últimos sete anos, com canções inéditas e tiragem inicial de um milhão de cópias.

"Pena de morte não, mas redução da maioridade sim", acentuou o "rei", respondendo às perguntas dos jornalistas.

"Pra Sempre" contém oito baladas, um rap e um rock´n´roll à moda antiga – Cadillac, a melhor faixa do álbum, parceria com Erasmo Carlos. Todas as baladas que Roberto compôs no disco são dedicadas à mulher morta em 1999, Maria Rita Braga. "Cada vez que completei um verso de cada canção que fiz nesse disco, chorei muito", afirmou. Ele explicou que, por isso, não tem mais parcerias com Erasmo e outros autores. "O que tenho feito é muito exclusivo. É difícil dividir. É quase impossível e Erasmo entende muito bem isso", afirmou.

O cantor também atacou a pirataria de CDs. "É lamentável. Isso já poderia ter sido resolvido há muito tempo. Ou pelo menos enfrentado. A gente que trabalha meses e meses num estúdio, fazendo um disco, vê nosso trabalho ser invadido e usado de forma ilegal. A pirataria nos outros países não é como no Brasil. Lá, o cara abre uma mala no metrô e vende escondido. De vez em quando, sai correndo para outra estação. Aqui, ele tem uma loja na rua e ninguém faz nada. Aqui no Brasil a pirataria é algo absurdamente particular", declarou.

Amanhã, nova passeata na Paulista

As entidades que organizaram a passeata de dez mil pessoas em São Paulo, dia 22 de novembro último, em homenagem aos jovens Liana Friedenbach e Felipe Silva Caffé, trucidados pela quadrilha do menor "Champinha" - http://www.ojornal.jor.br/jornal14/index.htm - promoverão amanhã, às 10 horas, nova manifestação popular contra a impunidade e pela redução da maioridade penal. Será no vão do MASP – Museu de Arte de São Paulo, na Avenida Paulista.

Os promotores do evento de amanhã vêm desenvolvendo intensa campanha para convidar a população através de "e-mails" e "sites". Não encontraram na imprensa, especialmente as maiores redes de TV, a mesma acolhida dedicada a entidades que se dizem contra a violência, mas agem apenas em defesa da impunidade.

Ao lado de parentes de vítimas de bandidos, encontram-se entre os organizadores as seguintes entidades: APADDI – Associação Paulista de Defesa dos Direitos e das Liberdades Individuais – www.apaddi.org.br , MRC – Movimento de Resistência ao Crime – www.mrc.org.br e Movimento Crime não tem idade – Chega de Impunidade.

Carta-Manifesto e um alerta

Aquelas entidades divulgaram ainda o endereço de um "site" que está colhendo assinaturas numa Carta-Manifesto em prol de mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente pela redução da maioridade penal. Este "link", http://www.gregolin.com/felipeliana/, dá acesso ao "site.

O JORNAL alerta, porém, que a Carta-Manifesto deveria exigir tal redução mediante emenda do Artigo 228 da Constituição Federal, que determina: "São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial." O ECA é conseqüência e de nada adianta exigir apenas sua alteração. A respeito disso, merece ser lido o artigo do senador Romeu Tuma publicado em nossa edição anterior - http://www.ojornal.jor.br/jornal15/tuma.htm

Comunicado do Movimento

Assinado por Jorge Damús Filho, pai de Rodrigo Balsalobre Damus, estudante de jornalismo morto na Av. Giovanni Gronch em 27/09/1999 por um bandido menor de 18 anos (com licença para matar através do ECA) e três facínoras maiores, O JORNAL recebeu comunicado do Movimento Chega de Impunidade.
Diz o documento, na íntegra:

Saindo do emocional e entrando no racional!

No dia 4 de dezembro, o Movimento Chega de Impunidade reuniu-se com a APADDI – Associação Paulista de Defesa dos Direitos e das Liberdades Individuais – www.apaddi.org.br , o MRC – Movimento de Resistência ao Crime – www.mrc.org.br , o Movimento Crime não tem idade – Chega de Impunidade e parentes de vítimas de bandidos, entre os quais os familiares de Felipe Caffé.

Integrado por todas essas entidades, o Movimento Chega de Impunidade pretende dar sua contribuição à luta do povo brasileiro para que as leis penais do Brasil realmente punam e retirem os bandidos perigosos do convívio social por longos anos, de maneira a impossibilitá-los de continuar a agredir nossos concidadãos.

Como é de amplo conhecimento, em relação à segurança pública e à legislação penal há duas agendas em nosso País. Precisamos separar o joio do trigo. Uma dessas agendas – a do povo brasileiro – exige que o Estado cumpra sua obrigação constitucional de dar segurança à população, legislando a favor do povo e contra os criminosos; investindo nas polícias e no sistema carcerário, além de prestigiar seus membros, sem embargo de outros investimentos básicos de saúde, educação e infra-estrutura, necessários para o avanço da civilização de nossa nação.

Outra - forjada longe de nossas fronteiras e para aqui trazida por organismos internacionais, Ongs e seus agentes diretos ou nacionais -, que, além de pregar a impunidade de menores criminosos e baixas penas de prisão para os demais delinqüentes sob um discurso demagógico e falacioso que atribui os crimes cometidos por livre decisão pessoal de seus autores à "causas sociais", investe contra nosso Judiciário e nossas forças policiais sob os mais variados pretextos.

Uma das causas mais importantes da onda de crimes a que o Brasil está submergindo é justamente a leniência e anomia decorrentes desta "visão social", da qual o atual governo é hoje o principal representante e defensor.

Não podemos esperar que a atual situação seja mudada sem a maciça manifestação popular em defesa de seu direito à justiça e à segurança e em apoio aos parlamentares que se identifiquem com os anseios populares.

Somente a permanente mobilização popular pode alterar este estado de coisas que está ceifando vidas inocentes, cada dia de forma mais cruel, além de transformar qualquer um de nós, brasileiros, em vítimas potenciais.

Nessa reunião ficou decidido que:

  • Na manhã do dia 20 de dezembro, às 10h, será feita uma manifestação pública no vão do MASP, para lembrar a histórica manifestação que reuniu 10.000 pessoas em São Paulo no dia 22 de novembro em homenagem a Felipe e Liana e no clamor por justiça;
  • Colocaremos a disposição da população um abaixo assinado por um plebiscito pela redução da idade penal. Se para 16, 14 ou 12 anos;
  • Denunciaremos toda a iniciativa pró-impunidade, proveniente de governos, instituições, partidos e pessoas físicas, principalmente quando propõe falsas soluções para o combate ao crime.

Você leitor, está convidado a se engajar nessa luta árdua e prolongada. Participe como puder, diretamente ou divulgando o movimento e seus objetivos.

A população tem que continuar a luta contra a impunidade, a criminalidade e a favor da redução da maioridade penal, visto que todas as pesquisas indicam que é um clamor do povo acabar com essa injustiça. " Vox Populi" Revista Veja 16/08/2000 – 84% a favor da redução da maioridade penal; Toledo e Associados – Jornal o Estado de S. Paulo 25/09/2002 – 87,9% a favor da redução da maioridade penal; OAB pesquisa efetuada recentemente, 90% a favor da redução da maioridade penal; Instituto Olhar de Belo Horizonte – 93% a favor da redução da maioridade penal; Pesquisa no site do Diga-me 24/05/2000 81% a favor da redução da maioridade penal; Raquel de Queiroz, Hebe Camargo, Carlos Massa, o rei Roberto Carlos manifestaram-se a favor da redução da maioridade penal. O Presidente FHC em 16/10/99 Jornal da Tarde " O crime do menor é visto, com muita tolerância. A sociedade não quer isso mais, é preciso que se mexa na legislação"; Rede Bandeirantes de Televisão, Rádio Jovem Pan, Rádio Bandeirantes, Rádio Trianon etc. – 93% das ligações querem a redução da maioridade penal. A mobilização da sociedade é muito importante. Não podemos deixar cair no esquecimento as vidas de inocentes perdidas para o crime, não podemos deixar esfriar esse clamor da população."

(a) Jorge Damús Filho, pai do Rodrigo

E-mail: jorge@atequando.com.br

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