"Se tem um país no mundo em que não há nenhuma razão para as pessoas passarem fome é o Brasil" – afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a solenidade de abertura da Expo Fome Zero 2004, no Expo Center Norte, em São Paulo, dia 10 do corrente. Endossou, assim, aquilo que o povo brasileiro diz há muito tempo com a esperança de achar um Presidente da República disposto a eliminar o problema.

Lula assegurou ser aquela feira uma prova de que, com a solidariedade e a criatividade do povo brasileiro, será possível vencer o problema da fome "antes do que alguns teóricos esperam". E explicou:

"Primeiro, porque produzimos alimento per capita suficiente para todo mundo comer, graças aos nossos agricultores, graças à agricultura empresarial, graças à agricultura familiar, graças aos homens e mulheres que produzem de sobra, não apenas para nos alimentar, mas para fazer com que o Brasil tenha recordes na sua balança comercial, exportando grande parte dos excedentes que produzimos. Mas ainda: a nossa renda per capita não permite que ninguém tenha fome. Não temos uma renda per capita de 200 dólares, de 300 dólares. Temos uma renda per capita acima de 3 mil dólares. Portanto, está claro que a única razão pela qual ainda há gente no Brasil passando fome é o desacerto histórico da política de distribuição de renda do nosso País."

A Expo Fome Zero 2004 ocupa área de 4.500 metros quadrados, onde 138 empresas públicas, privadas, e organizações não-governamentais mostram os trabalhos sociais que desenvolvem. Funciona como uma vitrina para incentivar outras empresas a realizar ações sociais.
Após a apresentação dos resultados obtidos pelos expositores, o presidente ressaltou que a feira também demonstra quanto os empresários brasileiros estão dispostos a ajudar no combate à fome e à miséria. O desafio do Brasil, na avaliação de Lula, é produzir riquezas e justiça social ao mesmo tempo. "A solidariedade é fundamental para o desenvolvimento sustentável" disse.

Lula destacou ainda que o apoio das empresas foi fundamental para que o Fome Zero chegasse, até agora, a 2.369 municípios, beneficiando 1,9 milhão de famílias.

"Saio daqui convencido de que a trajetória e o compromisso que nós assumimos são irreversíveis e que um belo dia, quem sabe não muito longe, nós estaremos aqui fazendo outra feira para provar que neste País nenhum homem, nenhuma mulher e nenhuma criança deixará de tomar café, almoçar e jantar todo santo dia".

ÍNTEGRA DO DISCURSO

O texto seguinte, fornecido pela Agência Brasil – ABr, reproduz na íntegra o que disse o presidente Lula na abertura da exposição:

"Esta Feira é de uma grandeza que talvez, Abdala, você e outros companheiros empresários que estiveram envolvidos na sua montagem não tenham a dimensão do que vocês estão fazendo aqui, em São Paulo. Uma Feira que mostra, de um lado, a solidariedade do povo brasileiro, de outro, a criatividade, e mostra, ainda, as políticas, sejam elas privadas ou públicas, demonstrando que, se continuarmos nesse caminho, não há por que, meu querido companheiro Patrus, alguém passar fome.

"Aliás, se tem um país no mundo em que não há nenhuma razão para as pessoas passarem fome é o Brasil. Primeiro, porque produzimos alimento per capita suficiente para todo mundo comer, graças aos nossos agricultores, graças à agricultura empresarial, graças à agricultura familiar, graças aos homens e mulheres que produzem de sobra, não apenas para nos alimentar, mas para fazer com que o Brasil tenha recordes na sua balança comercial, exportando grande parte dos excedentes que produzimos.

"Mas ainda: a nossa renda per capita não permite que ninguém tenha fome. Não temos uma renda per capita de 200 dólares, de 300 dólares. Temos uma renda per capita acima de 3 mil dólares. Portanto, está claro que a única razão pela qual ainda há gente no Brasil passando fome é o desacerto histórico da política de distribuição de renda do nosso País.

"Tenho umas páginas para ler, aqui, e estou doidinho para fazer um improviso. Lendo, serei mais racional, não lendo, serei mais emocional. E vou ler, para não colocar todas as minhas emoções para fora pelo que vi aqui, hoje, Abdala.

"Antes de ler, queria dar uma explicação para vocês. Se a gente analisar o que aconteceu de janeiro do ano passado para cá, muitas vezes, nós somos exigentes demais conosco mesmos, e ficamos nos cobrando. Muitas vezes não estamos satisfeitos com as coisas que fazemos sem medirmos o tempo que levamos para fazê-las.

"A primeira vez que nós falamos no Fome Zero foi no discurso de posse, quando assumimos essa postura. Depois, fomos para Davos, no dia 25 de janeiro do ano passado, e pela primeira vez, os empresários que freqüentam Davos, ouviram a palavra fome. E muito me orgulho, porque foi a primeira vez, em toda a existência de Davos, que a palavra fome foi soada em português.

"Depois de Davos, nós fomos para Evian, no encontro do G-8, com a convocação de mais 12 países, dentre os quais estavam os grandes países do mundo: China, Índia, Brasil, México, Nigéria. Nós fizemos uma reunião dos 20 países e enquanto as pessoas queriam discutir guerra, eu falava: vamos discutir a questão da fome, vamos discutir a questão da pobreza, é muito mais fácil. É muito mais fácil acabar com a fome no mundo do que acabar com uma nação ou fazer uma guerra. Nós corremos muito menos risco se nós tratarmos de dar comida para esse povo.

"De vez enquanto as pessoas ficam ociosas e ficam imaginando: "puxa, mas já falou ontem e não aconteceu nada hoje, já se passou um ano e não se resolveu o problema da fome no mundo". Se fosse fácil, outros já teriam resolvido. Se fosse fácil resolver o problema da fome, não teríamos fome. É difícil, porque pressupõe mexer com as entranhas do nosso coração, mas pressupõe mexer com a estrutura de distribuição de renda no mundo. Qual não foi a minha surpresa quando nós conseguimos transformar um encontro de presidentes das Américas, que aconteceu no mês passado em Monterrey, na discussão sobre experiências de políticas sociais em cada país. E lá estava desde uma ilha pequena, chamada São Vicente, até o presidente Bush, todo mundo sendo obrigado a falar de políticas sociais.

"Depois eu fui a Genebra, para um encontro com o presidente Chirac, e aprofundamos um pouco mais essa questão da fome. Poderíamos criar um fundo mundial de combate à fome, que não pesasse para ninguém individualmente, mas onde uma migalha de cada um poderia fazer um pão enorme para todo mundo comer. Eu sugeri há um tempo atrás, que se criasse um fundo sobre o comércio de armas no mundo. O comércio de arma significa, hoje, meu caro Marinho, 900 bilhões de dólares por ano. Imagina uma parcelinha desses 900 bilhões, o que não se poderia fazer pela paz no mundo. O comércio exterior, hoje, movimenta uma bagatela de 8 trilhões de dólares por ano. Imagine uma pequena vírgula desse 8 trilhões, quantos bilhões a gente não conseguiria juntar.

"Agora, imaginem vocês, se nós cobrássemos o imposto sobre os paraísos fiscais, o que a gente não poderia ter de dinheiro para acabar com a forme no mundo? Ou se a gente cobrasse uma pequena parcela de todo o dinheiro que se movimenta no mundo diariamente. Com uma vírgula que nós cobrássemos, a gente poderia ter dinheiro, não para dar comida, porque o Brasil não precisa participar deste programa recebendo ajuda, porque nós vamos assumir a responsabilidade de acabar com a fome com as nossas possibilidades, com os nossos recursos, pois nós temos o que muitos países do mundo não têm. Deus pôs os pés aqui e falou: "olha, aqui vai ter tudo. Agora, é só homens e mulheres terem juízo que as coisas vão dar certo". E nós vamos fazer este País dar certo sem precisar pegar dinheiro de fora para combater a fome.

"Criamos uma equipe técnica entre França, Brasil e Chile. Nós, agora, vamos começar a mandar uma carta para cada presidente da República, expondo mais detalhadamente a idéia. Achamos que o problema não é do presidente do Brasil. Achamos que o problema pode ser assumido pelo movimento sindical brasileiro, pelas ONGs brasileiras, pelas entidades empresariais brasileiras. Todo mundo tem que se manifestar, porque está chegando o momento em que devemos definir, sobretudo para o empresariado brasileiro e mundial, que tipo de consumidor nós queremos ter no planeta Terra, se são consumidores de terceira categoria ou consumidores dos produtos de boa qualidade que nós produzimos.

"E, aí, poderemos criar um movimento de solidariedade no mundo como poucas vezes aconteceu. E acho que há clima e maturidade para isso. E vamos cumprir com a nossa tarefa. Nós vamos cumprir porque, se em um ano nós fizemos o que já fizemos e se, em poucos meses, vocês, empresários brasileiros, conseguiram fazer uma exposição como esta, significa que podemos fazer muito mais.

"Na verdade, não quero ser o indutor, quero ser o provocador. Nós podemos muito mais e, se cada um fizer aquilo que é possível, poderemos fazer uma revolução neste País.

"Vou contar um pequeno caso. Está aqui o nosso companheiro Gabriel, presidente da Febraban. Um dia, Oded me falou: "Olhe, vou conversar com a Febraban, vou conversar com alguns amigos banqueiros e vou ver se eles ajudam a financiar cisternas." Obviamente alguém que mora aqui, em São Paulo, pode não ter a dimensão do significado de uma cisterna no semi-árido nordestino. Mas o Oded foi e, de repente, me procurou para falar: "Presidente, a Febraban vai assumir a construção de 10 mil cisternas no Brasil." Fizemos um ato, lá no Palácio.

"E a minha maior alegria não foi o ato do Palácio. Foi quando tive um encontro com o Gabriel, com o Miguel Jorge e outros representantes de bancos no Brasil, lá nos "cafundós" do sertão brasileiro, inaugurando uma cisterna. Eu até brinquei com o Gabriel. Eu falei: quem diria, o presidente da Febraban, aqui, no semi-árido nordestino, fazendo uma cisterna.

"Não custa nada para a Febraban 10 mil cisternas. Agora, para um sertanejo que passou um ano esperando um pingo d’água, saber que não vai faltar água para beber é quase um milagre que ele jamais vai esquecer.

"E fico imaginando, aqui, quanta gente poderia fazer cisternas. O Governo não tem nem que saber o que as pessoas estão fazendo. Depois de feito, nós gostaríamos de tomar conhecimento para fazer propaganda e quantificar. Mas a capacidade que temos de produzir políticas como essas que vocês estão produzindo aqui é infinita. E o Governo não quer se meter. O que queremos é, se formos chamados, aplaudir e apoiar vocês naquilo que nós precisamos fazer.

"Vejam, nós estamos com um projeto de lei na Câmara dos Deputados que é o Bom Samaritano. É um projeto de lei para garantir estrutura às pessoas que têm restaurante e querem dar comida. Ontem, eu fui a uma empresa e ela me disse: "Presidente, aqui, sobram, todo dia, 19 quilos de comida. E eu precisava dar para alguém, mas não posso dar. Não posso dar, porque, se acontecer alguma coisa, vão me responsabilizar. Então, é preciso criar alguma

coisa para que eu possa doar esse alimento, por meio de alguma entidade, instituição, prefeitura, sei lá." Precisa haver em cada região instituições que possam recolher alimentos de boa qualidade e fazer com que cheguem às pessoas que não têm o que comer.

"Eu queria pedir permissão a vocês para ler algumas palavras e explicar as razões pelas quais eu vim aqui. E estou realizado como ser humano, como presidente da República, porque aprendi na minha vida política que a gente nunca pode dizer que sabe tudo. A gente nunca pode dizer que não precisa de ajuda. E a gente não perde nada em estar sempre de braços abertos, esperando alguém. E sempre tem alguém que sabe mais do que a gente ou sabe alguma coisa que a gente não sabe. E a gente deve estar de braços abertos, com humildade, para acolher os ensinamentos que ainda não temos.

"O que vocês fizeram , hoje, aqui, foi isso. Foi dizer ao Presidente, dizer aos ministros, dizer ao Governo: "Não sejam tontos, não se matem sozinhos, não façam discursos que vocês não podem cumprir. Não queremos nada de vocês, ninguém está pedindo isenção de imposto, nada. Nós apenas queremos dar aquilo que achamos que é justo dar." E vocês, pelo desfile que vimos aqui, fizeram, em um ano, o que muita gente possivelmente não conseguiria fazer, enquanto Governo, em cinco ou seis anos.

"Por isso quero, antes de ler o meu discurso, agradecer, do fundo do coração, o trabalho que vocês fizeram e apresentaram aqui.

"Fiz questão de vir inaugurar a Expo Fome Zero – e já pedi para o ministro Patrus voltar aqui, na quinta-feira, quem sabe, para ver a Feira no seu último dia – para compartilhar com todo o Brasil essa verdadeira cruzada renovadora.

"Até queria pedir aos meus companheiros da imprensa: acho que o Brasil, muitas vezes, não privilegia as coisas boas que tem e a gente dá muita divulgação a coisas erradas. Acho que é preciso fazer um equilíbrio, porque, aqui, a imprensa terá a oportunidade de passar pelo menos dois dias vendo o quanto é possível a gente acreditar que o Brasil está de pé e que o Brasil pode resolver os seus problemas. Nem tudo é tão ruim, como alguns dizem. A sociedade está ávida para participar e está fazendo as coisas.

"Alguns enxergam aqui apenas uma vitrine de filantropia. Eu vejo um grande passo para uma transformação indispensável de mentalidade.

"Vejo o Brasil realizando um projeto de desenvolvimento humanista no qual todos ganham e o País sai fortalecido.

"A solidariedade é essencial na implantação de um processo de desenvolvimento. Sem ela, como pactuar um novo ciclo histórico de crescimento sustentável em nosso País?

"Sabemos que a fome no Brasil não decorre de uma escassez de alimentos, mas de um conflito secular de direitos. Montou-se aqui uma bem azeitada máquina de produzir desequilíbrios.

"Nela o acelerador da riqueza aciona sempre o freio da distribuição. E um futuro melhor para todos se perde na perpetuação das desigualdades.

"Para corrigir esse desencontro entre os meios e os fins, a sociedade precisa recolocar a economia a serviço de todos. Esse é o principal desafio do crescimento brasileiro: produzir riqueza e justiça ao mesmo tempo.

"O desenvolvimento é uma transformação. É uma prerrogativa do consenso político e da revolução de mentalidades alcançada em cada época.

"Justamente por isso não é uma fatalidade na vida das nações, mas uma conquista. Uma decorrência da vontade nacional de superar os entraves na construção do presente e do futuro.

"Os abolicionistas compreenderam isso no século XIX.

"O Brasil não tinha mais como avançar se ficasse dividido entre a casa grande e a senzala.

"Getúlio Vargas vislumbrou isso nos anos 30. O Brasil nunca seria uma Nação de verdade se continuasse emparedado entre a oligarquia e o cafezal.

"Celso Furtado e Juscelino descobriram isso nos anos 60.

"O Brasil não cabia numa industrialização cercada de desequilíbrios regionais e sociais por todos os lados.

"Foi assim que a liberdade venceu a escravidão.

"Foi assim que a Petrobrás se tornou a oitava companhia petrolífera do mundo.

"Foi assim que a Sudene integrou o Nordeste ao Brasil.

"Foi assim que Brasília, um dia, saltou das pranchetas de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer para redesenhar o planalto central e unir o Norte ao Sul do País.

"Meus amigos e minhas amigas,

"Na noite de 27 de outubro de 2002, quando me vi eleito presidente da República, entendi perfeitamente que o povo brasileiro terminava de repactuar uma nova vontade de futuro. E ela era incompatível com a persistência da fome e da exclusão entre nós.

"Isso explica a enorme receptividade despertada pelo Fome Zero desde que anunciamos seu lançamento, em janeiro de 2003.

"O Brasil descobriu-se portador de um mal que tem cura. Não existe nenhuma justificativa econômica para que dezenas de milhões de pessoas no nosso País ainda padeçam de insegurança alimentar.

"Nada justifica que a população desfrute um padrão de vida inferior ao de sociedades com renda equivalente à nossa.

"Só o vácuo de cidadania, a ausência de direitos e a omissão republicana do Estado explicam que o Brasil seja uma das dez maiores economias do mundo; e ao mesmo tempo ostente uma das piores distribuições de renda do planeta.

"Num País onde grande parte do povo não sabe se vai comer amanhã, o Estado não dispunha nem de ministério, nem de infra-estrutura, nem de técnicos, nem de cadastro confiável para chegar até os excluídos.

"O Fome Zero nasceu dessa premência de estender às comunidades pobres condições mínimas de sobrevivência para que possam lutar pela própria emancipação.

"Esse sentido de urgência mobilizou um pequeno grupo de técnicos sob a liderança do companheiro José Graziano – sem dúvida um dos nossos maiores especialistas – que saiu à frente para fincar as primeiras estacas dos comitês gestores do Fome Zero no semi-árido nordestino.

"Ao lado dele, estava Oded Grajew com sua grande capacidade para atrair o empresariado brasileiro às boas causas. Na outra ponta, o incansável Frei Betto animando esse mutirão a favor da vida no Brasil.

"Graças ao trabalho e à experiência acumulada por eles uma mudança de mentalidade começou a se formar dentro e fora do Governo.

"Ela impulsionou a unificação dos programas sociais para concentrar forças agora na implantação do Bolsa Família nas grandes periferias metropolitanas.

"Foi para essa missão que convoquei o companheiro Patrus Ananias, que traz para a esfera federal sua enorme capacidade dirigente e um elenco de projetos contra a fome, testados, aprovados e premiados internacionalmente em sua gestão na prefeitura de Belo Horizonte.

"A Expo Fome Zero demonstra que a sociedade brasileira tem recursos, energia e criatividade para continuar contribuindo nesta segunda etapa de implantação do programa.

"Aqui estão dezenas de empresas que ao longo dos últimos doze meses uniram-se ao Poder Público de forma generosa.

"É importante ressaltar: durante todo esse tempo, nunca ouvi de nenhum empresário um pedido de isenção de impostos ou qualquer outro tipo de favorecimento em troca da parceria na luta contra a fome e contra a miséria no nosso País.

"Esse talvez seja o dado verdadeiramente revelador da mudança de mentalidade que buscamos. Há no empresariado uma consciência crescente de que a riqueza de uma corporação cercada de miséria coletiva não traz nem progresso sustentável nem segurança para o nosso País.

"Significa dizer que nenhum fundamento econômico será suficientemente sólido se não houver uma contrapartida da responsabilidade social na retomada do desenvolvimento.

"A mesma consciência avança entre as empresas e as autarquias públicas. Aqui também a parceria com o Fome Zero redefiniu projetos existentes e criou outros, transformando ações isoladas em compromissos permanentes de parceria com o desenvolvimento social.

"O Fome Zero não estaria hoje implantado em 2.369 municípios, beneficiando 1.901.288 famílias, se não contasse com o apoio entusiasmado das empresas que estão aqui – e de tantas outras por esse Brasil afora.

"Nós vamos continuar a nossa tarefa de convidá-las a participar cada vez mais do Fome Zero – e contamos com todas as que já são nossas parceiras para que se empenhem também nesse trabalho.

"Minhas amigas e meus amigos,

"A solidariedade expressa nesta exposição não é a culminância do trajeto, mas uma convergência de vontades em busca de um destino melhor para o Brasil.

"Todos que aqui estão têm consciência de que esse destino só pode ser o da inclusão social de todo o povo brasileiro.

"Trata-se, portanto, de entender a estabilidade conquistada como um alicerce macroeconômico para erguer uma grande ponte entre quem já tem cidadania e quem ainda não a conquistou no nosso País.

"Um compromisso que devolva à palavra futuro seu significado generoso e prático. Misto de pátria e de abrigo, de reciprocidade e equivalência de direitos – um sinônimo, enfim, de solidariedade e oportunidade para todos.

"Meus amigos e minhas amigas,

"Volto para Brasília agora com a certeza mais do que absoluta de que o passo que vocês deram hoje nesta exposição demonstra uma tese que venho defendendo há alguns anos: não tem ser humano 100% mau, como não tem ser humano 100% bom.

"O que vocês conseguiram fazer foi pegar a média daquilo que cada pessoa pode dar, foi pegar o lado bom do coração de cada homem, de cada mulher, de cada empresário ou empresária brasileira e dizer a eles, com a meiguice, Abdala, da sua fala e a do Oded: "Olhem, não queremos que você faça nada pelo Governo. Queremos que você faça pelo seu irmão, pela sua irmã que não teve a oportunidade de ser o que você é."

"Saio daqui, meu querido Afif, meu querido Pinguelli, meu companheiro Marinho, deputados, convencido de que a trajetória e o compromisso que assumimos é irreversível. E, um belo dia, quem sabe, Abdala, não muito longe, nós estaremos aqui, fazendo outra feira, para provar que neste País nenhuma mulher, nenhum homem, nenhuma criança deixou de tomar café, almoçar e jantar todo santo dia.

"Se vocês assumirem esse compromisso, podem ficar certos de que, muito antes do que alguns teóricos esperam, nós iremos comemorar esse dia.

"Muito obrigado. E que Deus abençoe todos vocês. Muito obrigado."

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