CPI em SP contra fraude

milionária na telefonia

O deputado estadual Romeu Tuma Jr. (PPS), presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa de São Paulo, está encaminhando junto aos demais parlamentares um pedido de abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as suspeitas de lavagem de dinheiro pela empresa SPCobra Instalações e Serviços, em São Paulo.

Segundo reportagem da revista CARTA CAPITAL, veiculada dia 24 último, há inúmeros indícios de irregularidades praticadas pela empresa.

"Há evidência de evasão de divisas, fraude contábil, fiscal e tributária, além do presumível uso de empresas inexistentes, ou laranjas, para a lavagem de dinheiro" – afirma o parlamentar.

Ele explica que a CPI investigará a extensão das irregularidades e o ônus para os cofres públicos.

A revista CARTA CAPITAL publicou ampla reportagem sobre o indiciamento de quatro funcionários da SPCobra, filial brasileira da espanhola Cobra especializada em serviços de telecomunicação. Os indiciamentos resultam de inquérito policial presidido pelo delegado Maurício del Trono para apurar um esquema

de lavagem de dinheiro, emissão de notas fiscais frias, sonegação fiscal e criação de empresas fantasmas no Brasil, que atingiria o bilionário conglomerado internacional pertencente ao espanhol Floretino Perez, presidente do clube de futebol Real Madri, onde jogam Ronaldinho e Roberto Carlos.

Nas investigações, surgiram nomes como o da Telefônica e de diversos bancos nacionais e estrangeiros. Há também indícios que acarretam dúvidas quanto a privatizações feitas pelo governo.

O engenheiro Armando Kilson Filho, ex-sócio brasileiro do grupo Cobra, sentiu-se lesado e conseguiu documentar uma série de falcatruas, inclusive gravando telefonemas. Transformou-se na principal testemunha do inquérito. Segundo ele, entre os documentos que entregou à polícia, há provas documentais da existência de "caixa 2" e da remessa fraudulenta de lucros para o Exterior em conivência com bancos. Ele lançou suspeitas ainda sobre a atuação da Junta Comercial de São Paulo.

Trata-se, enfim, de um caso que parece envolver escândalo de proporções internacionais e, na opinião do deputado Tuma Jr., merece ser investigado por uma CPI devido à facilidade legal que essa comissão teria para, entre outras coisas, quebrar os sigilos bancário, telefônico e fiscal dos denunciados rapidamente.

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