Senado reedita sucesso

na 18.ª Bienal do Livro

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Com 262 expositores representantes de 830 selos editoriais, a 18ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo atraiu mais de meio milhão de visitantes entre os dias 15 a 25 últimos ao Centro de Exposições Imigrantes. Dos 45 mil metros quadrados do centro, 18,3 mil foram reservados aos estandes onde 15 mil títulos ficaram à disposição do público.

A presença de diversos autores consagrados, brasileiros e estrangeiros, abrilhantou a mostra. Entre os estrangeiros, Gavino Ledda Michel Maffesoli, Eoin Colfer e Carlos Fino. Do Brasil, dentre outros, compareceram Lya Luft, Marcelo Rubens Paiva, Nélida Piñon, Marina Colasanti, Ignácio Loyola Brandão, José Mindlin, Leonardo Boff, Rubem Alves, Ziraldo, Zuenir Ventura, Adélia Prado, Paulo e Chico Caruso, Maurício de Sousa, Carlos Heitor Cony e Ana Maria Machado.

Mais uma vez, o Senado Federal apresentou dezenas de obras em seu estande, inclusive livros impressos em braile que foram doados a entidades de deficientes visuais e entregues pelo senador Romeu Tuma (PFL-SP), 1.º Secretário da Casa. O objetivo do Senado ao participar das bienais do livro é despertar o gosto pela leitura das publicações políticas, legislativas e da história do Parlamento Brasileiro, pelas quais o Congresso Nacional é o responsável.

Livros para o povo

Nesse estande, houve o lançamento do livro "Dados Biográficos das Senadoras Brasileiras", com a vida de todas as 28 mulheres que já ocuparam uma cadeira no Senado. O livro faz parte das atividades do Ano da Mulher, instituído em 2004. Estiveram presentes, entre outros, a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) e os deputados federais Iara Bernardi (PT-SP), Mariângela Duarte (PT-SP), Perpétua Almeida (PCdoB-AC), Coronel Alves (PL-AP) e César Medeiros (PT-SP). O livro foi distribuído gratuitamente.

O Senado lançou também uma Edição Comemorativa em Homenagem aos 450 anos de São Paulo. O público fez fila para pedir, nesta e em outras obras, autógrafos dos senadores paulistas Romeu Tuma (PFL) e Aloizio Mercadante (PT), que prestigiaram o evento.

A Edição Comemorativa é integrada por três obras essenciais para o conhecimento da história da cidade, acondicionadas em um estojo especial. São os livros: Na capitania de São Vicente, do ex-presidente e historiador Washington Luís (prefaciado por Mercadante); História da cidade de São Paulo, de Afonso d'Escragnolle Taunay (com apresentação do senador Eduardo Suplicy, PT-SP); e História da Capitania de São Vicente, de Pedro Taques de Almeida Paes Leme (com prefácio de Tuma). O estojo é ilustrado com uma aquarela de José Wasth Rodrigues, retratando a antiga Igreja do Colégio.

"Corredor de cultura"

Romeu Tuma destacou o sucesso do estande na Bienal. Para ele, a presença do Senado na feira "é indispensável", uma vez que São Paulo é "um corredor de cultura". Tuma elogiou a "visão de estadista" do presidente do Senado, José Sarney, que "tem investido muito" nas produções gráficas da Casa.

Para Tuma, as obras têm importância vital para compreender não só a História de São Paulo, mas de todo o Brasil, já que da Capitania de São Vicente partiram os bandeirantes para constituírem o atual território do Brasil, "desprezando, inclusive, o Tratado de Tordesilhas".

O senador Mercadante disse ser uma honra para o Senado participar de uma feira do porte da Bienal de São Paulo, a maior do Brasil. Segundo ele, a republicação das três obras "permite aos historiadores, pesquisadores e a todos os interessados conhecer mais profundamente nossa trajetória como sociedade". Mercadante enalteceu as edições do Senado:

- Uma das mais antigas instituições do País, o Senado tem um compromisso com a cultura e a história nacional, abrindo oportunidade para recuperar obras que estavam esgotadas, trabalhos importantes para quem tem interesse em preservar e aprofundar o conhecimento sobre a riqueza da história do Brasil. É mais uma contribuição à cidadania que o Senado Federal promove - destacou, ressaltando que "a adesão da população, imediata e ampla, confirma ser muito bem vinda a presença do Senado na Bienal do Livro".

As obras

Washington Luís (1869-1957) tentou imprimir uma terceira edição de sua obra maior em 1955, mas suas negociações com a editora não foram adiante. Cogitada desde 1951, esta nova edição de Na capitania de São Vicente vem agora a público por intermédio da Editora do Senado. O livro resulta de extensa pesquisa feita pelo autor em atas da Câmara e em inventários e testamentos realizados no Arquivo Público de São Paulo e o Arquivo da Câmara de Vereadores entre os anos de 1902 e 1903.

Washington Luís foi prefeito de São Paulo, presidente da província de São Paulo, senador por São Paulo e presidente do Brasil (1926-1930). Deposto na Revolução de 1930, esteve exilado até 1947. Foi membro da Academia Paulista de Letras e dos Institutos Histórico e Geográfico Brasileiro, de São Paulo, da Bahia e do Ceará.

A obra de Taunay (1876-1958) reproduz edição do quarto centenário de São Paulo. O próprio autor compilou várias obras anteriores sobre a história da cidade, do período colonial, imperial e republicano, publicadas desde 1921. "Da inspeção dos anais paulistanos e para a confecção deste volume resolvi destacar o que me parece essencial, a fim de dar aos meus leitores uma súmula dos fatos capitais balizadores da trajetória da urbe bimilhonar de nossos dias", escreveu no prefácio Taunay.

Engenheiro, professor, historiador, ensaísta, biógrafo, romancista, tradutor, lexicógrafo, Taunay foi diretor dos Museus do Estado de São Paulo, professor na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Instituto Histórico de São Paulo, da Academia Paulista de Letras e da Academia Portuguesa de História.

O livro de Pedro Taques de Almeida Paes Leme (1714-1777) trata dos primeiros séculos da Capitania de São Vicente, assim como narra um pouco da vida de seu avô, Pedro Taques Almeida, capitão-mor e governador da Capitania de São Vicente e São Paulo, de 1684 a 1687. Correspondente dos senhores reis de Portugal, foi também provedor e contador da Fazenda Real, além de juiz de alfândega e administrador-geral das aldeias.

Considerado "o cronista das bandeiras", de cultura incomum para a época, a vida de Pedro Taques de Almeida Paes Leme, em si, já seria digna de um romance. O autor é também autor de Nobiliarquia Paulistana Histórica e Genealógica e Notícias das Minas de São Paulo e dos Sertões da mesma Capitania, consideradas obras clássicas do período colonial.

Para deficientes visuais

O senador Tuma doou, em nome do Senado, dia 17, coleções de livros em braile a quatro entidades de assistência a portadores de deficientes visuais de São Paulo. Na solenidade, o parlamentar anunciou a intenção do Senado de editar livros infantis em braile, para pessoas que já nasceram com a deficiência ou a adquiriram muito precocemente.

- Temos um sonho, que é buscar livros infantis, para os que já nascem com essa doença. Uma luta que tem a simpatia geral do Senado Federal e uma atenção das entidades que congregam deficientes visuais - afirmou.

Foram agraciadas as seguintes entidades: Fundação Dorina Nowill; Associação dos Deficientes Visuais (Adeva); Instituto de Cegos Padre Chico; e a Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual (Laramara). Cada uma recebeu um exemplar dos seguintes livros: Estatuto da Pessoa Portadora de Deficiência; Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei de Doações de Órgãos ("esperança do deficiente visual", lembrou Tuma); Constituição de 1988; Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB); Código de Proteção e Defesa do Consumidor; e Conselho aos Governantes, a primeira obra literária impressa pelo Senado Federal.

Dez olhos

O senador destacou as iniciativas do presidente do Senado, José Sarney, para aprimorar as edições em braile impressas pela gráfica.

- Sabemos que Deus deu dez olhos aos deficientes visuais, que são as pontas dos dedos. Precisamos dar as letras e os livros. Ainda é uma literatura muito técnica, que busca divulgar os direitos para

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incorporar o deficiente à cidadania, mas em breve   queremos escolher algumas obras de lazer e literatura especializada em infância e juventude - afirmou o senador, que pediu aos deficientes presentes sugestões para melhorar a qualidade das edições em braile.

Dorina Nowill, presidente de honra da fundação que leva seu nome, afirmou que os livros do Senado são bem encadernados, com braile muito claro, com altura e formato dos pontos muito bons. Apenas sugeriu que os livros tenham formato menor, "já que a gente quase precisa carregar uma mesa para ler".

- Não posso dizer com bons olhos essas edições do Senado, porque tenho olhos mais não vejo. Mas há muitos anos quis começar criação dos pequenos centros para se especializarem em determinadas áreas, e o senado está fazendo com as leis - disse Dorina, de 85 anos, cega desde os 17.

O presidente da fundação e também presidente da Editora Melhoramentos, Alfredo Weiszflog, lembrou que a fundação, com 58 anos de existência, é hoje a maior editora em braile da América Latina. Segundo ele, os deficientes visuais sempre se ressentiram da ausência de produção de textos jurídicos, lacuna que vem sendo preenchida pelas edições do Senado.

Daniel de Moraes Monteiro, da Lanamara, pediu ao senador Tuma que o Congresso aprove uma lei obrigando as editoras a fornecerem gratuitamente às entidades cópias digitalizadas de seus livros para que possam ser impressas em braile, sem o pagamento de direitos autorais.

Teatro mamulengo

Desde sua abertura da bienal pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, centenas de pessoas assistiram ao espetáculo de teatro mamulengo O Menino sem Nome, apresentado duas vezes por dia no estande do Senado na 18ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. A peça é escrita, produzida e interpretada por Josias Wanzeller, artista plástico e funcionário da Secretaria Especial de Editoração e Publicações (SEEP) do Senado.

Pela primeira vez, o estande do Senado reservou um espaço especialmente destinado às apresentações de Josias, que já vêm sendo feitas desde o ano passado. Um miniteatro de arena foi construído, mas é pequeno para a quantidade de crianças e adultos que se aglomeram nos corredores para ver a peça que dura, em geral, meia hora.

Os meninos acompanham as músicas com palmas, soltam gargalhadas quando o boneco simula soltar flatos (representados pelo talco que o artista joga do palco) e pulam para estourar as bolhas de sabão falsamente assopradas pelos bonecos. O texto conta a história de um menino que não tem nome nem vai à escola, apenas vende pirulitos na rua. Com seus amigos, ele ganha um nome (Severino), descobre os livros e, com eles, a importância de saber ler, estudar e freqüentar a escola. Ao final, o apresentador sai de trás da proteção que o esconde ("empanada") e se apresenta às crianças.

Há oito anos trabalhando com teatro mamulengo, Josias busca seus bonecos em Pernambuco, onde são produzidos artesanalmente por artistas populares como Bibio dos Bonecos e Mestre Saúba. Outros são de Brasília, feitos pelo artista Moisés Bento. Eles são batizados com nomes populares e engraçados, como Zé Queixada, Dona Josefina da Perna Fina e o Palhaço Fogueteiro. Os fantoches têm movimentos faciais, na boca e nos olhos, para atraírem ainda mais a atenção das crianças.

O site da Fundação Joaquim Nabuco na Internet informa que mamulengo é o "nome dado ao teatro de bonecos também conhecido como marionetes, fantoches ou títeres", sendo "um dos mais ricos espetáculos populares do Nordeste brasileiro". A apresentação é sempre "uma representação de dramas através de bonecos, em pequeno palco elevado coberto por uma empanada, atrás do qual ficam as pessoas que dão vida e voz aos personagens".

Distribuição de conhecimentos

As atividades da Comissão das Feiras de Livros, do Senado, iniciaram-se em 1996, na Feira do Livro de Brasília. Têm o propósito de divulgar as obras editadas pelo Senado Federal junto ao público que freqüenta as feiras de livros estaduais, bem como promover o reconhecimento do cidadão sobre a importância da produção editorial realizada pelos órgãos do Senado Federal envolvidos com informação. São eles a Primeira Secretaria, Diretoria-Geral, Conselho Editorial, Secretaria de Comunicação Social, Secretaria de Informação e Documentação, Secretaria Especial de Editoração e Publicações, Subsecretaria de Edições Técnicas e Secretaria Especial de Informática - Prodasen.
O objetivo do trabalho realizado pela Comissão abrange não só a venda de livros, mas também o incentivo ao gosto pela leitura nas áreas política, legislativa e da história do Parlamento Brasileiro, pelas quais o Congresso Nacional é o responsável. Tem, também, a missão de levar à população o conhecimento sobre os serviços de informação que são disponibilizados via Internet, pelo Senado Federal.

Senadores autografam

No estande do Senado, estavam presentes o Diretor-Geral do Senado, Agaciel da Silva Maia; o Diretor da Secretaria de Comunicação Social, Armando Rollemberg e o Diretor Executivo do Interlegis, Victor Guimarães Vieira. Todos participaram do lançamento do primeiro livro de bolso publicado pelo SEEP. Trata-se de "Segurança e Cidadania", de autoria do senador Romeu Tuma. Formaram-se filas de visitantes para obter o autógrafo do autor.

Também ficaram à disposição do público documentos do Arquivo Histórico do Senado Estavam assim distribuídos:

Documentos de interesse geral

1. Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil, de 1888;

2. Termo de posse assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 1º de janeiro de 2003;

3. Diploma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eleito em outubro de 2002;

4. Termo de posse assinado pelo presidente Jânio Quadros, no dia 1º de janeiro de 1961;

5. Carta de renúncia do presidente Jânio Quadros, de 25 de agosto de 1961;

6. Carta de renúncia do presidente Fernando Collor de Mello, de 29 de dezembro de 1992;

Documentos relativos ao Estado de São Paulo:

7. Projeto de Consulta da Seção de Guerra e Marinha do Conselho de Estado enviado a Dom Pedro II, referente ao exame da coleção de leis da província de São Paulo, promulgadas no ano de 1874;

8. Ofício da Câmara Municipal de Taubaté, Província de São Paulo, enviado ao Senado ressaltando o apoio à reforma Constitucional;

9. Fórmula de juramento dos senhores Senadores para o dia de sua posse;

10. Representação da Câmara Municipal de Campinas, província de São Paulo, enviada à Assembléia Geral Legislativa relativa à reforma da lei eleitoral;

11. Resolução da Assembléia Geral Legislativa referente à concessão de privilégios à Companhia Paulista de Estrada de Ferro, para o prolongamento da ferrovia entre as cidades de Jundiaí e de Campinas, na província de São Paulo;

12. Cópia de Decreto do Imperador Dom Pedro II adiando a reunião da Assembléia Geral Legislativa para janeiro de 1843, devido às perturbações ocorridas na província de São Paulo e Minas Gerais.

Comissão coordenadora

A comissão de funcionários do Senado que coordenou a mostra era dirigida pelo coordenador Júlio Werner Pedrosa e coordenador substituto Florian Augusto Coutinho Madruga.

Estava integrada também por Alexandre Bodani Cavalcanti; Anand Rao Adusumilli; Arnóbio Santos Neto; Carlos Eduardo Campos Abrego; Florian Augusto C. Madruga; Ivana Pereira Peres Dias; Jacqueline Aguileras Maffia; José Carlos Britto Gomes; José Paulo Nunes Cordeiro Tupynambá; Jozias Wanzeller; Julio Werner Pedrosa; Maria Goretti Oliveira Rocha; Paulo Afonso Lustosa de Oliveira; Petrus Elesbão Gomes da Silva; Rejane Paraíso de Azevedo; Simone Bastos Vieira; Sônia de Andrade Peixoto; e Thales Augusto Guimarães Vieira.  (Fonte: Agência Senado)

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