País caminha para

um confronto social

O massacre de garimpeiros por índios em Rondônia e o "abril vermelho", executado pelos movimentos de sem-terra e sem-teto, evidenciaram ainda mais a crise de autoridade que está levando o País a um confronto social de conseqüências iprevisíveis. Três matérias publicadas pelo jornal O ESTADO DE S. PAULO dia 21 último expõem com clareza a gravidade da situação.

A primeira é o comentário da jornalista Dora Kramer, intitulado "Lógica Sinistra" e que diz:

"O presidente da FUNAI, Mércio Pereira Gomes, falou uma, falou duas, falou três vezes que não poderia condenar os índios da Reserva Roosevelt, em Rondônia, pelo assassinato de 28 garimpeiros, e não foi repreendido em nenhuma delas.
"Lamentou formalmente as mortes, solidarizou-se oficialmente com a dor das famílias e, na prática, justificou o massacre sob o argumento de que os índios defendiam suas terras da espoliação branca.
‘Sou humanista. Não acredito na morte nem na violência. Mas também não posso ficar condenando os índios por defenderem seu território. Os garimpeiros sabiam do risco’, repetiu segunda-feira, já tendo tido tempo suficiente para refletir a respeito do que havia dito em seguida aos assassinatos.
"O senhor Mércio vive a ilusão de que seja um humanista. Não é. Pela sua lógica, os proprietários de terras invadidas também teriam salvo-conduto para assassinar os sem-terra, pois igualmente estariam defendendo suas propriedades."

Na mesma edição, o Fórum dos Leitores reproduziu a seguinte carta, sob o título

"São Paulo dá exemplo":
"Parabéns ao governo do Estado de São Paulo pela brilhante atuação nos últimos episódios envolvendo esses pseudo-sem-teto. Eu, assim como milhares de brasileiros, trabalhei muito  para conseguir comprar um teto para morar.
"Agora aparece essa turma de baderneiros querendo casa de graça, e o mais interessante é que eles só invadem casas e apartamentos em locais nobres, não se ouve falar que tenham invadido casas ou apartamentos na mais longínqua periferia. Não é teto que lhes está faltando, é caráter e vergonha na cara. Gilberto Ribeiro Da Silva (aanu@uol.com.br), Carapicuíba."

Finalmente, no Fórum de Debates, com o título "Distribuição de Renda", O ESTADO publicou este tópico:

"Finalmente, desvendada a grande motivação para as ocupações, melhor dizendo, invasões do MST do Sr. Stédile et caterva: "ganhar na loteria" vendendo, ilegalmente, os lotes por até R$ 50 mil (18/4, A4).
"Trata-se de uma fortuna para qualquer desempregado. Parabéns ao governo do PT: descobriram uma nova forma de distribuir renda! Luiz E. G. Barrichelo, São Paulo Em vez do espetáculo do crescimento, estamos presenciando a escalada das invasões, feitas ao arrepio da lei, e sem que se tome ou se possa tomar qualquer providência. Pois bem, na edição do dia 18/4, o Sr. Francisco Graziano, ex-secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, afirmou que 40% das terras destinadas à reforma agrária foram vendidas pelos assentados.
"Isto é um escárnio feito com o dinheiro público, pois as desapropriações são pagas com recursos advindos dos (exorbitantes) impostos que todos nós recolhemos. Armando Taddei Júnior, São Paulo."

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