matraca2.gif (20686 bytes) A MATRACA
Assis Corrêa Neto
VAMPIROS ACABAM COM O BRASIL

Até os índios sugados pelos vampiros. Além de funcionários de alto bordo metendo a mão da grana com concorrências fajutas, surgem famigeradas ONGs agindo nas comunidades indígenas, malbaratando vultosos recursos destinados à saúde dos silvícolas, além de outros setores, destacando-se o social.

Das mais de 250 mil ONGs existentes, algumas centenas deveriam se dedicar à prestação de serviços nas áreas social e alimentar. Este ano o governo já desembolsou mais de duzentos milhões para essas entidades, algumas fantasmas. Também arrecadam dos incautos centenas de milhões de reais. Não existe nenhuma fiscalização do Tribunal de Contas da União. É o campo aberto para a picaretagem protegida por donos do poder.

Ainda agora, o empresário Mário Farias Brito, presidente da Ágora – Associação para Projetos de Combate à Fome e amigo do peito de Lula, está em palpos de aranha. Foi acusado de meter a mão na grana. Suspeito de desviar novecentos milhões de reais, cobrados pelo Ministério Público. Foram mais de cinqüenta notas frias de 33 empresas fantasmas. Também teria recebido indevidamente 4,6 milhões de cruzeiros para projeto de formação educacional. A Ágora só poderia atuar na área de segurança alimentar. Entidade dedicada ao combate à fome e à pobreza, recebeu e continua recebendo muitos recursos públicos sem prestação de contas.

Bons amigos, fazem bons negócios. Deve ser o lema daquele amigo de Lula. Sua empresa Nova Data, fabricante de computadores, já faturou mais de duzentos milhões de reais, desde o inicio do governo. Contratos privilegiados com a Caixa Econômica Federal, Petrobrás e órgãos de administração pública.

É das mais expressivas a contribuição da Ágora, arrecadadora de fundos para campanhas eleitorais. Sua atuação ultrapassa nossas fronteiras. Recebeu da Noruega 54.700 reais para ensinar noções de direitos humanos em Alagoas. Apenas por um kit de material didático, pagou 52.500 reais, através de notas que parecem frias.

Sua influência já chegou ao Planalto. Swedenberger Barbosa, que deixou a empresa em janeiro de 2003, é o secretário executivo da Casa Civil e braço direito do ministro José Dirceu, personagem do caso Waldomiro Diniz. Estranha coincidência.

Esse é mais um fato que veio à baila pôr descuido dos implicados. Mas, são milhares as ONGs travestidas de filantrópicas. Dissimulam sua origem, seus patrocinadores, o que fazem e quanto arrecadam. É a porteira aberta para picaretagem.

Povo não agüenta mais ficar calado. Diariamente, os meios de comunicação dão conta de escândalos, desvio de verbas, concorrências fraudulentas, emissão de notas frias, superfaturamento de preços, pagamento por serviços não prestados, desvio de caixa dois para campanhas políticas, empresas especializadas em fraudes, além de outros artifícios ainda não identificados.

Vale lembrar algumas operações que estão engrandecendo a imagem da Polícia Federal e aterrorizando corruptos: Anaconda, envolvendo o Poder Judiciário e a própria polícia; Gafanhoto, contra funcionários fantasmas; Vampiro, a das concorrências fraudadas para aquisição de sangue e muitas outras.

É patente o envolvimento de funcionários ligados ao PT e pertencentes aos altos escalões administrativos.

Já se tornaram comuns e cansativas as aparições do ministro Márcio Bastos repetindo as instruções de Lula: "Doa a quem doer, o responsável será punido". Mas, há muito ladrão ainda à solta. Só alguns bois de piranha como, Lalau, Naya e agora o china contrabandista estão realmente vendo o sol nascer quadrado.

A corrupção ocorre em todo o universo, mas, como no Brasil, é demais. O roubo é institucionalizado, cada um rouba onde e como pode, basta surgir a ocasião.

Somos um País cuja população é levada a concluir, mais uma vez, que o que compensa é mesmo o crime, sobretudo quando os criminosos integram a divisão especial de uma sociedade em que alguns poucos são muitos mais iguais do que os demais.

PACTO PARA PEGAR PATOS

Zé Dirceu gosta muito de estar por cima da carne seca. Agora quer Pacto da Governabilidade, para "evitar uma crise externa iminente". Forma velada de críticas aos rumos da política econômica, que por sinal continua muito mal. Serve para encobrir a falta de sintonia do governo. Com as exceções de praxe, a administração Lula é um modelo de inoperância e de desencontros entre os seus membros.

Na realidade é mais uma manobra do Planalto visando uma União Nacional.

Sempre que ocorre uma crise - e elas sem sucedem – aparecem os conhecidos bombeiros. Assim foi na "conspiração" montada pelo Ministério Público no caso Waldomiro Diniz. Foi assim no "ataque à soberania nacional" encontrado por traz do artigo de NYT, que motivou a expulsão do jornalista ao afirmar que Lula se excedia na birita.

Pano de fundo surgiu depois de inesperada e esquisita homenagem, com supimpo rega-bofe na residência da Marta Suplicy, com participação de cinqüenta empresários cheios da grana.

Face às repercussões negativas nos círculos governamentais, políticos e empresariais Zé Dirceu, voltou atrás. Disse não se tratar de críticas à política de Palocci, mas sim defesa de um amplo acordo político para enfrentar uma eventual crise. Tirou o seu da reta.

Desconhece a prosperidade existentes nos centros globalizados. Já se notam até eventuais efeitos colaterais do aquecimento de várias atividades. O governo chinês balizou o crescimento do seu PIB para que não ultrapasse 7% ao ano, contrariando níveis que cresciam mais de 9,4%. Estados Unidos, com temores de que retomada de crescimento vá gerar um surto inflacionário, aumentará taxa de juros que já anda pelos 5%. Também a possibilidade de os produtores de petróleo aumentarem a produção para conter uma alta determinará aumento no consumo mundial. Este, por sua vez, contribuirá para retomada de desenvolvimento de vários países.

Enquanto isso, a chamada Agenda Positiva caminha a passos de cágado. Faltam regras para se investir em saneamento, portos, transporte, energia e outros. São ferramentas indispensáveis para geração de empregos e criação de empresas. Projetos existem. Muitos. Mas não saem do papel.

Perdemos os ventos favoráveis de recuperação da confiança no País e de liquidez no mercado internacional que levou a China, Índia e outros países asiáticos a um extraordinário ritmo de crescimento pela acumulação de reservas cambiais.

Pacto do Zé Dirceu é mais uma manobra para desanuviar a inoperância governamental. Não passaria de pura e simples adesão ao governo. PT quer uma trégua eleitoral. É um pacto para pegar patos.

MAIS UMA CAIXA PRETA DA PETROBRÁS

Enrolou, enrolou e ferrou. Aí está novo aumento da gasolina e do álcool. Comércio

já aumentou por conta. Comida custando os olhos da cara. Petrobrás useira e vezeira em enrustir informações, voltou a agir. Demorou mais de quarenta anos para abrir a caixa preta. Agora  mantém a sete chaves os custos de cada barril de petróleo. Precisamos saber quanto custa um barril do ouro negro. Escaramuças estão sendo feitas pelos ministros da Fazenda, Planejamento e o presidente da Petrobrás. Jogo de cena. Falta coragem para dizer que vamos pagar a conta de mais um escorchante aumento nos preços da gasolina.

Nunca se entendeu o complicado calculo exercitado para estabelecer preços da gasolina. Sabe-se apenas que é baseado nas cotações do dólar. Quando sobe o preço acompanha. Mas, quando o preço desce, diminui na bomba uma merrequinha. Muito estranho. Povo sempre tomando no coco.

Trata-se da maior empresa da América Latina, com 50 anos de existência e uma das mais respeitadas do mundo. Produção diária de mais de dois milhões de barris. Seu lucro o ano passado foi da ordem de 17,8 bilhões de reais, campeão em toda a América Latina.

Com a crise internacional que o mundo atravessa, preços estão indo para o espaço. Não se entende porque o Brasil precisa pagar essa conta. Produzimos noventa por cento das necessidades e ainda exportamos quase quatro bilhões de dólares em 2003.

Não adianta explicação. Ela reside na megalomania de aumentar o superávit fiscal que está matando nossa economia, para gáudio do FMI. Até quando agüentaremos?

DESDENTADOS, TRISTES E MAL ALIMENTADOS

Brasil : 26 milhões de desdentados

Esse o triste quadro brasileiro. De Norte a Sul. De Leste a Oeste. É a miséria, o desemprego, a fome, a doença matando aqueles que esperam em vão o propalado espetáculo do crescimento, que continua no papel. Povo está triste sem motivos para rir e, quando o faz, apresenta multidão de desdentados.

Estudo desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde - OMS revela que, no Brasil, 26 milhões de brasileiros já perderam todos os dentes. São 14,4% de brasileiros desdentados.

Outro índice chocante é que 85% dos salários dos trabalhadores não chega ao fim do mês e que o brasileiro compromete mais do orçamento doméstico com habitação que com alimentação.

Existe uma solução a ser apresentada aos iluminados de Brasília, que a todo minuto redescobrem a roda: edição de medida provisória, instrumento pelo qual o governo vem administrando o País sem necessidade do Congresso, para diminuir o calendário de trinta para dez dias.

Situação continua russa. Desemprego alcançou 13,1% em abril, o maior dos últimos tempos. A renda caiu mais 3,5%. Menos comida na mesa do trabalhador. Enquanto isso o fantoche do Berzoini, que agora está ministro do Trabalho, aquele mesmo que humilhou os velhinhos obrigando-os a permanecer horas nas filas de recadastramento, deita falação de que o desemprego alto indica uma melhora da situação. Falastrão está delirando.

PERDEM O PÊLO MAS NÃO PERDEM O VÍCIO

Alguns parlamentares perdem o pêlo, mas não o vicio. Estão aprontando mais uma. Manobra se desenvolve na calada da noite. Querem mudar a lei anticorrupção eleitoral. A imoral iniciativa quer impedir o afastamento imediato de políticos que comprarem votos ou abusarem do poder econômico nas eleições.

Foi uma ampla campanha ao lado da CNBB para conseguir apresentar projeto com um milhão e duzentas mil assinaturas. Foram meses de andanças pelo País para demonstrar a necessidade de banir a nefasta influência do poder econômico nos pleitos eleitorais. Senadores e deputados jamais cuidaram antes de dificultar a compra de votos ou abusos do poder econômico. População se mobilizou, conseguindo transformar em lei projeto da cassação de mandatos em qualquer fase do processo judicial, mesmo ainda havendo recursos à disposição do acusado.

Agora, em mais uma demonstração de corporativismo, querem voltar à estaca zero a toque de caixa. Alegam cerceamento de defesa. Mas os fatos são outros. Querem salvar o mandato do senador João Capiberibe, do PSB do Amapá, acusado de compra de dois votos por 26 reais. Foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas a cassação não se consumou. Medida cautelar foi concedida pelo Supremo Tribunal Federal, suspendendo a medida.

Fatos com o esse vêm demonstrar como o voto está aviltado. Muitos espertalhões e manipuladores dos poderes político e econômico sempre se manifestaram contra a moralização eleitoral. O novo projeto, que caminha silenciosamente, pretende revogar a lei moralizadora. Precisa ser barrado. Essa lei não fere direitos e, sem nenhuma dúvida, é instrumento eficaz para conter a corrupção eleitoral.

 

Túnel do tempo
Vinho e bacalhau

Sou apenas um comerciante de vinho, bacalhau, farinha de trigo e algodão. Francesco Matarazzo, que formou o maior império industrial brasileiro em sua época, tornando-se o homem mais rico do País, respondia assim quando lhe perguntavam sobre seu sucesso.

Em 1882, aportou no Rio de Janeiro trazendo uma carga de banha para iniciar seus negócios no Brasil. Não deu. A carga foi a pique com a barcaça que a levava do navio ao cais.

Matarazzo seguiu para a cidade de Sorocaba, Interior do Estado de São Paulo, onde tudo começou. Abriu uma venda e a maior parte das mercadorias que expunha era importada. Levantou seu império aos poucos e, dez anos depois de chegar, mudou-se para São Paulo, inaugurando sua primeira fabrica, um moinho de trigo.

Levou cinco décadas para erguer o maior conglomerado econômico brasileiro. Empreendimentos e atividades das mais expressivas e impressionantes até para os dias de hoje. Foram 365 fábricas, uma para cada dia do ano. Produziam tecidos, lata, óleos comestíveis, açúcar, sabão e sabonete, presunto, pregos, velas, louças e azulejos. Possuía banco, refinaria de petróleo, frota particular de navios, terminal exclusivo no Porto de Santos. Império dos Matarazzo foi catalogado pela Enciclopédia Britânica como um dos principais conglomerados familiares do mundo.

Antes de chegar aos oitenta anos de idade, suas empresas faturavam 350 mil contos de reis por ano, dinheiro equivalente, na época, à arrecadação do Estado de São Paulo, já o mais rico do País.

Teve atuação marcante nos meios econômicos e financeiros, sendo um dos fundadores do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, juntamente com Roberto Simonsen, José Ermírio de Morais, Antonio Devisate, Horácio Lafer e outros.

(Assis Corrêa Neto é jornalista e escritor. assiscorreaneto@uol.com.br )

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