Anistia Internacional só se

preocupa com criminosos

Jorge Damus Filho

O relatório anual da organização Anistia Internacional (AI) acaba de acusar o Estado Democrático de Direito brasileiro de "violações dos direitos humanos e assassinato de milhares de jovens nas mãos da polícia". O relatório investe contra os governos das mais importantes unidades da Federação, como São Paulo e Rio de Janeiro, dizendo que continuam "defendendo o uso de métodos policiais repressivos". Segundo os dados da AI, a polícia paulista matou 915 pessoas (11% mais que no ano anterior) e a carioca, 1.195 entre os meses de janeiro a novembro de 2003 (32,7% mais que no ano anterior).
Para Jorge Damus Filho, líder do Movimento de Resistência ao Crime (MRC) e pai do estudante Rodrigo, vítima de latrocínio praticado por um menor de idade, "a matança promovida por assassinos maiores e menores de idade não constitui problema de acordo com a análise da AI, pois ela demonstra preocupação somente com os bandidos que pereceram enfrentando a polícia".

"É impressionante que a Anistia Internacional, assim como a ONU, não emite nenhum relatório sobre as pessoas de bem que foram vítimas dos criminosos" – ressalta, acrescentando:

"Não existe nenhum relatório sobre os danos emocionais, psíquicos, traumas, etc. causados às famílias que perderam seus entes queridos para os facínoras que imperam. Nos últimos 10 anos, só no Estado de São Paulo foram assassinadas 120.000

pessoas. Em todo o Brasil, no mesmo período, segundo o Prof. Ib Teixeira, 400.000 pessoas assassinadas, sem falar nos 40.000 estupros ocorridos em solo paulista."

Jorge Damus fica indignado ao frisar que, "para essas vítimas e seus familiares, não há relatórios, só a dor da perda, o fim dos sonhos, a ferida aberta que não fecha, a dor irreparável, a saudade que fica, o nó na garganta. Para nós parentes de vítimas de bandidos, abandonadas pelo estado, só nos restou levar flores em um túmulo de cemitério e ficar imaginando como estaria nossos filhos agora, seus sonhos de vida, suas vidas, nossas vidas se estivessem conosco."

A indignação de Damus aumenta quando ele fala da responsabilidade dos políticos e da imprensa "sempre preocupados apenas com as interferências externas que protegem a minoria de criminosos em detrimento da grande maioria de pessoas de bem que tiveram seu sangue derramado, tombaram nas ruas, nos espaços que o crime e a impunidade tomaram, e continuam sendo mortos todos os dias. Até quando?"

"E ainda querem desarmar os cidadãos honestos. Isto não significa, porém, que eu desejo fazer apologia de que a Polícia pode matar a vontade. Se o policial errou, tem que pagar por seu crime. Veja bem, eu disse crime. Mas, prevaricar ou omitir-se também é crime. Temos muito que fazer para reverter essas injustiças, filosofias, sociologias baratas e hipócritas" – finaliza Damus.

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