Guerra Dolly X Coca até em cartazes nas ruas

"Coca-Cola contém folhas de coca? É ilegal? A Coca-Cola está acima da lei?" Tais perguntas compõem painéis de rua espalhados pela fábrica de refrigerantes Dolly em São Paulo e Rio de Janeiro, em mais uma escaramuça da guerra entre a multinacional e essa empresa de refrigerantes brasileira.

A publicidade agressiva aconteceu – segundo Laerte Codonho, dono da Dolly – devido a estar sendo sabotado, na Câmara dos Deputados, um requerimento que solicita a análise do extrato vegetal utilizado pela Coca-Cola. Pelo documento, o deputado Renato Cozzolino (PSC-RJ) requereu tal exame pela Polícia Federal, Ministério da Justiça e Instituto de Criminalística. Em 5 de maio, o pedido foi aprovado por unanimidade na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, mas – diz Codonho – "está sendo jogado pra lá e pra cá".

"É bastante antiga a suspeita de que o extrato conteria derivados de folhas de coca, que podem criar dependência física ou psíquica, o que é terminantemente proibido pelas leis brasileiras" – afirma Codonho, que ataca a Coca-Cola em várias frentes desde que teria espalhado o boato, inclusive por cartazes e e-mails, de que a Dolly dava câncer. Além disso, A Coca-Cola teria "plantado" um espião na firma de Codonho para obter todo tipo de informação, sabotá-la e desestabilizá-la. Estas acusações estão sendo apuradas em inquérito da polícia de Diadema-SP, onde se situa a sede da empresa nacional. Fitas de gravação e cópias de documentos são as principais provas apresentadas.

Quanto ao requerimento submetido à Câmara federal, Codonho acrescenta:

"Numa sucessão absurda de acontecimentos, primeiro foi aceito um recurso assinado pelo principal lobista da Coca-Cola, Jack Correa, diretor de Assuntos Governamentais. Os recursos só devem ser feitos por deputados. O caso foi parar nas mãos do deputado Inocêncio de Oliveira (PFL-PE), que será seu relator, e que deu continuidade normal ao 

processo de solicitação da análise, por considerá-lo absolutamente correto e legal. Mas, há mais de um mês, João Paulo Cunha, presidente da Casa, o mantém inalterado e parado."

Mesmo diante dos desmentidos da Coca-Cola, Codonho mantém-se enfático: "O consumidor tem que saber a verdade. Se eles não temem nada, por que não liberam o extrato para análise? A verdade é que há, sim, provas da utilização de derivados de folhas de coca, sabe-se o nome da empresa da qual o produto é importado, e de onde ele vem. Há notas fiscais que comprovam isso, e inúmeros documentos onde a acusação é feita, assim como testemunhas, ex-funcionários da Coca, que eles há anos tentam desmoralizar".

Codonho assegura que os "outdoors" apenas reproduzem perguntas feitas por deputados e não respondidas pela multinacional durante a Audiência Pública realizada no início de junho, em Brasília. Lá estiveram o presidente da Coca-Cola no Brasil, Brian Smith, Laerte Codonho, o presidente do CADE, Conselho Administrativo de Defesa Econômica e a representante da Secretaria de Direito Econômico, SDE, onde há processo instaurado para apuração das denúncias apresentadas pela indústria Dolly.

"Quem não deve, não teme", repete Codonho, utilizando expressões populares conhecidas. "Perguntar não ofende. Mas alguém tem que explicar como a Coca-Cola, há 62 anos no país, nunca foi examinada. Eles que não venham responder que já foi. Temos os laudos. O máximo a que eles se permitiram, em 2000, foi entregar ao Instituto de Criminalística produtos, latas e garrafas, para análise. Estamos falando que o que precisa ser analisado é o Extrato Vegetal, chamado de mercadoria número 5, usado para produzir o concentrado, em Manaus", esclarece.

Codonho acusa ainda a multinacional de se estar favorecendo, há anos, de elisão e sonegação fiscal. E a direção da Coca-Cola, ao ser procurada pela imprensa, sempre nega as acusações.

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