Editorial

COM DANÇA DA QUADRILHA,

ENTORTARAM A ESPERANÇA

Quando chega a hora da verdade, vale tudo para certos tipos políticos manterem o poder alcançado, ou pela força, ou pelo engodo. São exemplares nesse sentido o "bode russo" e a guerra das Malvinas. Isto é, criam-se problemas imensos para esconder a incapacidade de desatar questões mais simples, que se prometeu solucionar e que não se quer ou não se sabe resolver. Bem alertou a atriz previdente: "Estou com medo!"

O resultado das promessas como "fome zero" está no salário mínimo e nas aposentadorias, nos lixões, favelas, cortiços, miséria, doença, deseducação, insegurança. O que mudou das taperas de Garanhuns e Cabrobó às palafitas de Recife desde 1944? E desde de 2003?

Quem prometeu mudar as coisas no nosso arraial, quer acabar antes com a fome no mundo. Não sabe amenizar a dos seus desvalidos, apesar de ter recebido todo o poder necessário para fazer o prometido Fome Zero nacional e não para ficar pregando um Fome Zero mundial.

Entretanto, tudo estará bem, se e quando se

materializar o tal plano messiânico internacional, presente há décadas em cérebros privilegiados que já abastecem a despensa de seus patrícios sem as bênçãos de falsos padres de festa junina. Líderes que não empobrecem ainda mais quem votou em falsas promessas de dias melhores para si e seus filhos.

"Enquanto" governo, os que eram campeões do radicalismo "estão" campeões do conformismo popular com relação a eles mesmos. O que faz uma boa máquina de propaganda governamental, hem! Basta repetir que "não dá pra mudar" coisas como salários de fome, aposentadorias vergonhosas, crianças disputando comida com urubus, trabalhadores morrendo na fila do SUS... e pronto: tudo permanecerá como dantes. Os crédulos continuarão crédulos e miseráveis. A culpa sempre pertencerá ao passado. Aqui, até a malandragem do "Gattopardo" pode ser ignorada porque as coisas nem precisam mudar para continuar como são.

Ah! Parece que a dança da quadrilha no "Arraiá do Torto" entortou de vez a esperança do povo brasileiro.

Mensagem para O JORNAL

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