Sai mais uma pensão vitalícia: agora é Cony

Matéria assinada pelo jornalista Edson Luiz e publicada em O ESTADO DE S. PAULO dá conta de que o jornalista e escritor Carlos Heitor Cony acaba de conseguir aprovação do Ministério da Justiça para receber pensão vitalícia de R$ 23 mil mensais. Seria por ter sido prejudicado profissionalmente ao tempo dos chamados "anos de chumbo".

Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou que seu governo está encontrando dificuldades financeiras para fazer frente às indenizações e pensões oriundas da anistia. Segundo ele, as concessões já somam R$ 4 bilhões, o que gerou a manchete da edição n.º 20 de O JORNAL.

Eis o que diz a matéria de O ESTADO DE S. PAULO:

"BRASÍLIA - O jornalista e escritor Carlos Heitor Cony vai receber uma pensão mensal e vitalícia de R$ 23 mil, valor correspondente ao salário que estaria recebendo como editor-chefe de uma publicação nacional. O escritor teve que abandonar suas funções no extinto jornal Correio da Manhã, no Rio de Janeiro, em 1965, por fazer críticas a atos do governo, na época.

O processo de Cony foi julgado com prioridade, semana passada, pela comissão de anistia do Ministério da Justiça, por ele ter 78 anos.

Cony, colunista da Folha de S. Paulo, entrou com o processo na comissão no ano passado. Alegou pelo menos dois motivos especiais para ter seu caso analisado com rapidez. Além da idade - um dos critérios para este tipo de julgamento - Cony tem problemas de saúde, outra alternativa para que

o processo passe à frente de outros.

Antes dele, outros dois jornalistas já haviam sido beneficiados com a anistia. O primeiro foi Márcio Moreira Alves, que teve seu mandato de deputado cassado depois de fazer um discurso na Câmara contra o Ato Institucional número 5, editado pelo governo militar. Depois de Moreira Alves foi a vez de Flávio Tavares, um dos planejadores do seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick, na década de 70.

No ano passado, o governo federal calculava em R$ 4 bilhões o volume de recursos de que precisaria para saldar todas as indenizações, tanto as que haviam sido aprovadas, quanto as que ainda estão pendentes de julgamento.

Há, no entanto, problemas de orçamento para pagar de imediato todas as indenizações, segundo fontes do governo que pedem anonimato.

Ordem - O ex-preso político e também jornalista Celso Lungaretti, 53 anos, protocolou representação no Ministério Público Federal para reclamar que o Ministério da Justiça não estaria respeitando os critérios para análise dos pedidos de pensão definidos em portaria interministerial. Ele deu entrada em seu pedido de pensão em outubro de 2001 e até hoje o julgamento de seu caso não foi marcado. Segundo Lungaretti, o primeiro critério definido pela portaria é o do desemprego, em seguida vêm idade avançada e doença. "Estou desempregado desde dezembro, com dívidas e pensões judiciais em atraso", disse o ex-preso político. "Mudaram os critérios", reclama. "As pessoas estão morrendo sem receber."

ensagem para O JORNAL

Volta à 1.ª página