Margaret Powers revela a "farsa do desarmamento"

"É uma mentira! O sucesso do desarmamento no Canadá é uma grande farsa!" Esta frase, proferida há dias pelo casal canadense Paul e Margaret Fishback Powers, durante visita a São Paulo, pôs abaixo um dos mitos criados ao redor do Estatuto do Desarmamento, ou seja, o de que naquele país a medida teria dado certo como meio de inibir a criminalidade violenta. Margaret é a autora de um dos poemas mais conhecidos no mundo, intitulado "Pegadas na Areia", aquele que termina com a frase: Quando viste na areia apenas um par de pegadas, foi exatamente aí que Eu,
nos braços, te carreguei". Paul é pastor da Igreja Batista em sua cidade.

A entrevista foi concedida ao "site" brasileiro In-Correto e, de acordo com o casal, "o desarmamento só desarmou fazendeiros, caçadores e quem possuía uma arma para se defender. Os bandidos continuam armados, a criminalidade de forma geral aumentou, incluindo os homicídios." Margaret e Paul afirmam também que "o custo da campanha de recadastramento e recolhimento de armas foi imenso e, na visão acertada da maioria da população, foram bilhões de dólares jogados fora em uma lei que só trouxe problemas. O próprio governo se nega a mostrar os números reais gastos."

A entrevista no Hotel Meliá

O livro dela "Pegadas na Areia" é hoje "bestseller" em 19 países. Todavia, aquele poema, escrito em 1964, chegou a ser publicado como de "autoria desconhecida" durante anos. Em 1983, Margaret viu-o num "out-door" e, aí, iniciou uma luta judicial para provar sua autoria. O processo despertou interesse internacional porque envolvia algo que inspirou milhões de pessoas em muitos países. Durante seis anos, a Justiça canadense examinou provas que iam desde o álbum de casamento com Paul, em 1965, até o testemunho de participantes de um acampamento no feriado de Ação de Graças, onde foi escrito. No álbum, Margaret transcrevera o poema.

O casal Powers foi procurado no Hotel Meliá por uma equipe do In-Correto, que desejava informações sobre o desarmamento civil no Canadá, diante da celeuma criada por órgãos de imprensa brasileiros e algumas ONGs. Foi surpreendida pelas afirmações do casal, pois, no Brasil, disseminou-se a idéia de que o desarmamento canadense é "um caso de grande sucesso".

Apoiado pela esposa, Paul afirma que, lá, "o povo odeia a lei do desarmamento. Inclusive são freqüentes os levantes de fazendeiros, caçadores, colecionadores e cidadãos que não aceitam que suas armas sejam confiscadas pelo governo. As alegações são de que os fazendeiros não podem mais se defender de animais selvagens e os cidadãos ficaram indefesos nas mãos dos bandidos."

A campanha desarmamentista canadense começou em meados dos anos 80. Fez-se primeiro o recadastramento das armas ou a entrega

Margaret Fishback Powers

espontânea às autoridades. Depois, houve o confisco. Hoje o governo usa os dados coletados para coagir os possuidores de armas a entregá-las. Os argumentos são iguais aos daqui: se ninguém tiver armas, todos estarão mais seguros. Segundo o In-Correto, com base nas informações do casal Powers, "o efeito foi o mesmo da Inglaterra e Austrália: somente os criminosos continuam armados".

Margaret e Paul enfatizaram que, recentemente, em apenas um final de semana em uma pequena cidade canadense de 45.000 habitantes foram cometidos nove assassinatos, inclusive de um policial. Todas as mortes ligadas ao tráfico de drogas, guerra de gangues e latrocínios. E acrescentaram: "Os criminosos não usam espingardas e fuzis de caça, também não estão usando mais pistolas e revólveres, eles querem Uzis. Então, por que estão desarmando os fazendeiros?"

O casal diz ainda que "a política de direitos humanos parece ser um vírus altamente contagiante. Hoje se um cidadão reage a um assalto e, por exemplo, atira na perna do assaltante com a arma do próprio criminoso, é ele que vai preso e o criminoso tem o direito de processá-lo para receber a indenização. A lei é para proteger as pessoas honestas, mas protege os criminosos. Torna o cidadão vulnerável e amedrontado. Não podemos confiar na polícia. Em Toronto no último ano foram três casos de corrupção. Para nós, esse é um número absurdo".

Ainda continua: "Seguranças particulares podem portar armas, polícias municipais podem portar armas, polícias estaduais podem ter armas, mas você não pode. E se a polícia não estiver lá quando você precisar? Quanto tempo a polícia demora para socorrer um cidadão? Mesmo com boa vontade, a polícia não consegue chegar rápido. Preste atenção no trânsito de São Paulo. Três minutos e você está morto! Em dois segundos o assaltante mata e depois de 15 minutos a polícia chega e diz ‘temos um corpo aqui..."

Quando o assunto é acidentes com armas de fogo, a posição de Margaret fica ainda mais clara. Ela perdeu duas primas ainda crianças com acidentes envolvendo armas de fogo. Mas, não culpa as armas. A culpa, segundo ela, "é pela falta de cuidado. As armas não podem ser banidas, pois são instrumentos eficazes para defesa da família". O cuidado redobrado, educação e familiaridade com armas de fogo impedem acidentes. Ela mesma diz que cresceu em uma casa onde havia armas e nunca houve qualquer acidente. E acentua: "As armas devem estar longe das crianças, mas muito perto dos pais."

Paul, ainda lembra a Bíblia: "Eduque a criança no caminho que ela deve andar, pois quando crescer ela não desviará dele".

(Fotos de Karen Barbosa)

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