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INTERNETEANDO

Sérgio Quintella da Rocha
serginhoqr@uol.com.br

PEÇA DE MUSEU

Nem só de giz e apagador vive um historiador

Ao contrário do que muitos vestibulandos pensam, um profissional de História, assim que se forma, não tem apenas a opção de escolher as salas acadêmicas como seu local de trabalho. A definição do ofício de historiar é bem mais ampla.

"Uma pessoa especialista em acontecimentos passados pode muito bem trabalhar em um museu, manuseando acervos e catalogando obras antigas, ou mesmo em uma biblioteca", diz a professora Leda Maria Busian.

O estudante Pablo Vinícius Cavalcante, que cursa História na USP e trabalha como estagiário na Biblioteca Mário de Andrade, ajuda outros alunos a fazerem pesquisas para seus trabalhos escolares.

"O mais interessante no meu estágio é ver de perto livros famosos em sua primeira edição", conta.

Grandes empresas - sobretudo as multinacionais - contratam historiadores para administrar treinamentos sobre as transformações sofridas por essa organização ao longo dos anos.

Outra possibilidade é exercer a profissão em órgãos públicos, como o Condephaat- Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo. Sem falar que um profissional de História pode trabalhar em novelas, no cinema e no teatro, não atuando, mas, sim, procurando costumes e tradições antigas que são fundamentais para as tramas de época.

A historiadora Claudinéli Moreira Ramos é formada pela USP e trabalha na Fundação Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo. Suas atividades incluem a realização de pesquisas para a organização do acervo custodiado pela Fundação e para sua divulgação por meio de publicações e exposições, além da elaboração e implementação de projetos para terceiros (prestação de serviços) nas áreas relacionadas ao acervo da FPHESP. As pesquisas são, portanto, a base para um historiador exercer sua profissão.

Por falar nisso, editoras costumam contratar pesquisadores para colherem dados que serão usados em biografias.

A "história" também tem outro lado. "Não é que eu seja contra a obrigatoriedade de um historiador precisar ser formado, entretanto, o essencial é a vocação", diz o escritor e jornalista Fernando Jorge, que já escreveu várias biografias, entre elas as de Alejadinho, Olavo Bilac, Paulo Setúbal e Getúlio Vargas, sempre recorrendo a especialistas em pesquisa, como funcionários da Academia Brasileira de Letras e da Biblioteca Nacional.

A professora e diretora de escola Marli Real é bem menos otimista. "O Brasil não tem estrutura suficiente para absorver profissionais da área que não queiram saber de ministrar aulas", diz.

Na sua opinião, cursar a matéria pode ser uma boa se for como uma segunda opção.

Por exemplo: se formar em jornalismo ou publicidade e, ao invés de fazer uma pós-graduação logo em seguida, cursar História.

Perguntada se um pesquisador de antigüidades ganha bem, Claudinéli Moreira Ramos diz que, comparada aos professores, a remuneração para esse tipo de profissional é maior.

Quem não quer saber de pesquisas, e quer mesmo é dar aula, precisa saber quanto ganha um professor. O Governo do Estado paga R$ 700,00, para uma carga horária de 20 horas semanais. Para trabalhar 40 horas, os rendimentos sobem para R$ 1.300,00.

Escolas particulares pagam melhor.

Há instituições de ensino que remuneram 40 reais por hora trabalhada.

Até que ficou bom, você pode pensar.

Mas, o que este texto tem a ver com o nome desta coluna? Quem sabe, daqui a uns anos (200, acho), um profissional de História também terá que saber da onde veio e como começou a Internet...

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