Computador2.gif (31302 bytes)

INTERNETEANDO

Sérgio Quintella da Rocha
serginhoqr@uol.com.br

VILIPÊNDIO DA VIDA

Há algumas semanas, os corpos de sete jovens foram encontrados dentro de uma caminhonete numa estrada perto de Tóquio. Num outro local, os policiais japoneses acharam duas mulheres mortas, também no interior de um automóvel. "Causa mortis": suicídio.

Ano passado, o alemão Armin Meiwes, de 42 anos, tido como um cara "simpático" e "modesto" pelos vizinhos, foi preso depois de matar um engenheiro berlinense, chamado Bernard Juergen. Motivo: prática de canibalismo.

O que os dois casos têm em comum? Resposta: A Internet.

Em 2003, 34.000 pessoas se mataram no Japão, o que equivale a um enorme índice de 25 pessoas por 100.000 habitantes. Só para se ter uma idéia, os suicídios nos Estados Unidos representam a metade desse número. No Brasil, são cerca de 4 para um grupo de 100.000 pessoas.

Pondo de lado o valor ideológico que os japoneses aplicam – e de certa forma não condenam socialmente o suicídio – a prática de dar morte a si mesmo está ganhando contornos virtuais. É isso mesmo. As pessoas estão se conhecendo em salas de bate-papo ou em sites sobre o gênero e combinando de "encontrar os céus" juntas.

Funciona mais ou menos assim: rola uma conversa virtual e os futuros suicidas trocam idéias sobre as técnicas mais rápidas, menos dolorosas, e os melhores locais para a prática do araquiri. Em muitas vezes, os assuntos transcendem a fase teórica e passam para a prática em pouco tempo. Apenas neste ano, cerca de 30 jovens entre 16 e 30 anos se mataram em circunstâncias semelhantes.

Prato principal

Em relação ao canibal alemão, a história é bem mais maluca. A "vítima" era um participante ativo de sadomasoquismo e respondera a um anúncio veiculado na rede mundial de 

computadores, na qual o assassino procurava um "homem jovem, com idade entre 18 e 30 anos (Bernard tinha 43), pronto para o abate".

Marcado o encontro, os malucos alemães começaram a pôr fim na história. Armin, o agressor, extirpou o pênis de seu novo colega (que ainda estava vivo), e que depois viraria objeto degustativo dos esquisitões. Isso mesmo, os dois alimentaram-se do órgão genital do homem que morreria a seguir. Só para resumir a história inepta, posteriormente, o assassino cortou o corpo de Bernard em pedacinhos e os colocou num freezer.

O pior disso tudo, caso possa haver coisa mais mórbida do que a morte em si, é que o autor do crime, quando fez o anúncio, recebeu pelo menos mais 4 contatos de interessados na empreitada sem volta. Segundo os advogados de defesa de Armin, um dos aspirantes a prato do dia não fez "o gosto" do esquartejador, o outro era muito gordo, e um terceiro desistiu em cima da hora...

Saiu barato

Para tudo há um motivo. Maluquices, esquisitices, doidices, entre outros substantivos, podem fazer entender os crimes, mas não os justificam. Ideologias à parte, já que em muitos países o canibalismo não é crime (o nosso alemão foi julgado por ocultação de cadáver e por matar para satisfação sexual, e posteriormente foi condenado a oito anos e meio de cadeia), fica o registro de quão importante - para o bem e para o mal - é a Internet nos dias de hoje, muito suficiente para deixar qualquer doutor Hannibal Lecter da vida (aquele do Quid pro Quo) com dor no cotovelo por ter vivido na era pré-digital.

INTERNETEANDO DE LUTO

Já que o tema é morte e, por coincidência, estamos na semana do feriado de Finados, fica aqui o nosso registro de tristeza em relação à morte do jogador Paulo Sérgio Oliveira da Silva, do São Caetano.

Eu estava lá e vi a hora em que o atleta entrou pela segunda vez na ambulância, logo após passar pelo ambulatório do Estádio do Morumbi. Não sei se isso é procedimento médico, mas seu corpo já estava coberto. Na minha avaliação, Serginho já saiu morto de lá. Uma pena.

Mensagem para O JORNAL

Volta à 1.ª página