Segurança espanca jornalista da Folha

Um segurança particular da empresa Gocil agrediu a golpes de cassete de ferro o repórter-fotográfico Marcelo Min (35 anos), da Folha de S. Paulo, dia 26 de novembro, defronte da casa do ex-prefeito Paulo Maluf, na Rua Costa Rica, Jardim Europa, São Paulo. O agressor, identificado como Marcelo Silva, 30, desferiu golpes na cabeça, no pescoço e nas costas do jornalista.

A Gocil faz a segurança da residência de propriedade de Washington Cinel, ex-policial-militar que é dono daquela firma e diretor de relações de mercado no sindicato das empresas de segurança privada de São Paulo. Uma equipe da TV Globo, que também dava plantão à frente da casa do ex-prefeito paulista, documentou o espancamento (foto acima).

Antes da agressão, houve uma discussão entre outro segurança e o motorista da Folha, Reinaldo Sílvio de Matos (34 anos).

"Havia uma vaga em frente à casa para estacionar o carro da reportagem. Quando o motorista se preparou para estacionar, o segurança veio com o carro dele e ocupou a vaga, deixando o veículo sobre a calçada", disse Marcelo Min.

O segurança saiu do carro e entrou na casa com um pacote. Cerca de dez minutos depois, retornou e foi fotografado por Min. "Começamos a discutir. Quando praticamente havíamos encerrado a discussão, o outro segurança (Silva) começou a me agredir", disse Min.

Verdadeiro atentado

Nas imagens gravada pela TV Globo, Silva aparece 

segurando um bastão de ferro retrátil e golpeando três vezes o repórter-fotográfico que ficou com a cabeça ensangüentada. Segundo o Sindicato dos Empregados das Empresas de Segurança de São Paulo, o uso do bastão retrátil é proibido por lei. A legislação só prevê a utilização de bastões de borracha ou madeira.

Após a agressão, os seguranças entraram na casa. Min foi socorrido pelo Resgate do Corpo de Bombeiros e levado para o Hospital São Paulo, onde recebeu seis pontos no couro cabeludo.

O caso foi registrado no 15º DP, no Itaim Bibi, em um termo circunstanciado de lesão corporal dolosa (praticada intencionalmente). Na delegacia, o indiciado recebeu assistência do advogado da Gocil, Rodrigo Nabuco, que disse ter ele agido "em legítima defesa." A Polícia encaminhou o caso ao Juizado Especial Criminal, que irá julgar o agressor.

Várias equipes de reportagem estavam na Rua Costa Rica para registrar o que acontecia do lado de fora da casa de Maluf, devido à repercussão das últimas medidas requeridas pelo Ministério Público à Justiça, entre elas sua prisão preventiva.

A agressão foi imediatamente repudiada por entidades que representam jornalistas e órgãos de imprensa. O presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Maurício Azedo, qualificou-a de ataque à liberdade de expressão: "É inadmissível que alguém, exercendo a sua profissão, seja vítima de atos como esse. Repudiamos a violência contra qualquer jornalista".

A ANJ (Associação Nacional de Jornais) divulgou nota manifestando "veemente repúdio à agressão" contra o fotógrafo, que "revela a violência e o despreparo de milícias particulares", e reivindica "das autoridades públicas a punição do agressor".

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