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INTERNETEANDO

Sérgio Quintella da Rocha
serginhoqr@uol.com.br

Arakiri.com

"Quero morrer". "A vida é feia; a morte é bela". Essas frases lacônicas faziam parte de dois blogs –aqueles diários virtuais - cujas proposições foram criadas por duas meninas francesas: uma de 14, outra de 15 anos. Clemence, a mais nova, e sua amiga Noemie se jogaram, em janeiro passado, do alto de um penhasco e morreram, causando comoção em toda a França.

Naquele país europeu, o suicídio é a segunda causa de morte envolvendo jovens entre 15 e 24 anos. Só perde para acidentes automobilísticos. A cada ano, 650 jovens franceses praticam o ato de dar morte a si mesmo.

Recentemente, a Interneteando comentou esse tema (japoneses que marcavam, pela internet, sessões coletivas de autocídios), razão pela qual não entraremos no mérito moral da história.

O tópico a ser analisado é o quão amplo e irrestrito a rede mundial de computadores se tornou ao longo dos anos. São alunos que fazem seus trabalhos acadêmicos simplesmente copiando o que está escrito em qualquer página da Web, confiando na autenticidade das informações. Ou mesmo aquele rapaz inteligente e discreto (para não falar "nerd") que é preso ao surrupiar milhões de dólares de sites financeiros cada vez mais vulneráveis a ataques digitais.

No caso das meninas européias que se mataram, seus pais só foram descobrir a trama depois de consumado o ato. O mesmo acontece sempre com a mãe que recebe uma "cartinha" da professora, dizendo que o rapaz-espertão usou e abusou da facilidade do "CTL C" + "CTL V".

Senta que lá vem história

Quando temas desse tipo viram notícias, educadores de plantão aparecem dizendo que os pais devem se preocupar na mesma proporção quando o assunto é o cuidado na rua e na Internet. Fixar limites, impor regras, sem, no entanto, usar o artifício da censura. Mais "eduquês": "nunca subestime a inteligência de um jovem". Entendeu? Educar, com rédea curta, mas sem cortar as asas. Eis a receita para o sucesso. Parece simples.

Durante o enterro de Noemie, seus colegas admitiam que a menina sempre falava sobre a morte, mas sempre sorrindo.

Feira (química) digital

Que tal comprar um "Lexotan" via internet? Ou adquirir um anabolizante sem precisar de 

receita médica? Calma, eu não sou amigo de um balconista de farmácia. A prática de comércio on line, que já é extremamente difundida hoje em dia (B2B, P2P etc), tem também seu viés ilegal. 

Como receita, a única exigência são três minutos de paciência. O tempo que se leva para procurar um vendedor de medicamentos em um site de busca. Isso se tanto.

Fora dos domínios da polícia brasileira, já que as páginas são hospedadas por provedores cujos países de origens têm nomes impronunciáveis, a chance de se pegar um comerciante desse tipo é pouco mais do que zero por cento.

Logística

Depois de achar o vendedor no Cadê (http://www.cade.com.br ), por exemplo, ou em páginas de discussões (fóruns), o futuro comprador nem precisa gastar o dedo negociando via e-mail. Seis mensagens é mais do que suficiente:

- Oi! Você tem Desobesi (um inibidor de apetite)?

- Tenho. Custa 150 reais.

- OK, eu quero. Como eu faço?

- Depósito na conta corrente tal. Cobro mais 15 reais de taxa de entrega. Você receberá a encomenda, pelo correio, em até cinco dias.

- Já fiz o depósito. Meu endereço é tal.

- Seu depósito foi identificado. Favor aguardar.

Essa conversinha fictícia pode descrever a facilidade com que a comercialização é realizada. Nem precisa mais. É um mercado livre. Uma terra de ninguém. A exemplo do que ocorre com a difusão da pedofilia.

Não compra, não. Faz mal

Só para lembrar, as vendas ilegais de remédios incluem substâncias que potencializam a dependência química, como, por exemplo, o ópio, os antidepressivos e as anfetaminas.

Site do mês

www.uol.com.br/biblioteca

Quem tem UOL pode consultar dicionários, enciclopédias, manuais. No caso dos "pais-dos-burros", o Houaiss se encarrega de facilitar a vida de quem não tem muita paciência de carregar para cima e para baixo livros com milhões de verbetes. Muitos dos quais sendo mais pesados do que um notebook.

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