O JORNAL - N.º 34 - Maio/2005 - São Paulo - Brasil - Página Interna

Guarulhos dá exemplo e humaniza a carrocinha

Houve até quem se emocionasse, há dias, ao ver nos jornais de TV o trabalho pioneiro do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Guarulhos para humanizar a captura de cães e gatos nas ruas daquele município da Região Metropolitana paulista. Desde março último, a carrocinha que chegava a ser símbolo da maldade aos olhos de quem ama os animais, principalmente as crianças, ganhou novo sentido. Seus operadores, especialmente treinados, não proporcionam os tristes espetáculos de caçada a laço de bichos destinados ao extermínio. Chegam a carregá-los no colo, procuram descobrir quem os abandonou e os transportam em caixas especiais até o centro veterinário onde recebem tratamento e um chip de identificação, em canis individuais.

O trabalho, inédito no País, começou depois da realização, naquela cidade, do curso de Formadores Oficiais de Controle Animal (Foca), da Sociedade Mundial Protetora de Animais. Segundo a veterinária e coordenadora do CCZ, Cristina Magnabosco, a nova técnica decorre de observações sobre o comportamento animal. O laço não é mais necessário: "Antigamente, o cachorro era laçado e colocado na carrocinha. Agora, ele é capturado no colo e colocado dentro de caixas que são transportadas pela carrocinha", diz. A mudança provoca menos traumas nos animais capturados, no profissional e na população.

Adoção e identificação

Além disso, a carrocinha tem novas prioridades. Os alvos principais passaram a ser cães e gatos sem dono, abandonados nas ruas ou doentes, o que não impede que outros animais sejam recolhidos. Caso isso aconteça, o dono deve pagar uma taxa de resgate que varia de R$ 15,30 a R$ 24. No quarto dia após a captura, se não tiver sido resgatado, o animal é encaminhado para adoção. Só cães e gatos doentes ou agressivos são sacrificados.

Os animais são recolhidos a canis individuais, como esses

Cristina esclarece que cerca de 90% dos animais trazidos pela carrocinha ao CCZ têm dono. "Se conseguirmos comprovar negligência por parte do proprietário, ele pode ser multado", alerta.

Os bichos adotados recebem gratuitamente um chip eletrônico de identificação. Já as pessoas que quiserem colocar a cápsula em seu bicho de estimação devem ir ao CCZ e pagar uma taxa de R$ 24.

Do tamanho de um grão de arroz, o chip contém informações do animal (nome, cor, raça, pelagem, idade, peso, sexo, carteira de vacinação etc.) e do dono (nome, endereço, RG, CPF, telefone e celular). É aplicado na nuca, com uma seringa descartável, sem necessidade de anestesia.

A microcápsula funciona como se fosse um código de barras. Possui um número, válido em todos os países, por meio do qual é possível ter acesso aos dados, ao se passar um leitor eletrônico na nuca do animal.

O chip representa uma modernização por ser muito mais eficiente que o RGA (Registro Geral do Animal), usado anteriormente. É intransferível, ao contrário da coleira RGA. 

Mensalmente, 400 animais são pegos e encaminhados ao CCZ. Cerca de 90% deles têm dono. A Prefeitura de Guarulhos realiza feiras mensais para adoção gratuita e, desde 2001, já foram adotados mais de três mil cães e gatos, todos com chip ou RGA.

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